Pela liberdade, pela democracia! criar PDF versão para impressão
15-Fev-2010

Um certo clima de medo larvar tem vindo a instalar-se na sociedade portuguesa, sob os mais diversos pretextos.

Tal situação não aproveita aos portugueses em geral e muito menos àqueles que mais sofrem os efeitos de uma crise financeira e social para que não contribuíram.

O clima de medo começou por se instalar ao nível dos locais de trabalho, ainda durante os governos PSD/CDS, quando foram lançadas as mais soezes acusações sobre os trabalhadores quer do sector privado , quer da função pública, nomeadamente professores, enfermeiros, médicos, etc .

As tentativas de assacar aos trabalhadores e aos seus sindicatos as culpas da ruinosa gestão de tantas empresas e até do défice público fizeram parte da mesma campanha, visando limitar e até impedir o exercício do direito dos trabalhadores à sindicalização e à defesa dos seus interesses .

Hoje, essas mesmas forças tentam, hipocritamente, fazer esquecer essas atitudes, que infelizmente foram continuadas pelos governos de José Sócrates.

Mas nós, não as esquecemos.

Também não esquecemos as manipulações dos órgãos de comunicação social , das campanhas de calunias e de "invenções" que, nessa altura, foram lançadas e que, agora, fingem nunca terem existido.

Bem conhecemos os lobos, sob a pele de cordeiros.

Somos dos que consideramos imprescindível a existência de uma comunicação social livre e responsável, sem controlo por parte do poder politico, mas também, sem pressões por parte dos grupos económicos.

Consideramos as liberdades democráticas e o pleno exercício da democracia inquestionáveis e continuaremos a bater-nos contra qualquer atentado à sua existência. Queremos, isso sim, o aprofundamento dessas liberdades e a sua qualificação.

De qualquer forma, interrogamo-nos a quem interessa o catastrofismo, a insegurança, o clima de terror, a descrença e o pessimismo permanente?

O que faz correr os "fazedores de opinião", que jogam permanentemente este jogo?

Por isso é importante que os democratas exijam uma completa clarificação das recentes "revelações" surgidas na imprensa sobre hipotéticos envolvimentos de membros do governo em actos de pressão sobre a imprensa e sobre jornalistas. Que , se for caso disso, os tribunais cumpram o seu dever com justiça e com a presteza, para beneficio da mesma.

Só assim poderemos aquilatar do que realmente se passa e com o que poderemos contar. O clima de boatos e de meias verdades não interessam a ninguém e desviam a atenção do que é realmente importante.

O Povo Português tem que poder ter alguma confiança tanto nos tribunais, como nos outros órgãos de poder.

Temos a esperança de que os Portugueses saberão encontrar os meios para ultrapassar esta fase de pessimismo e de descrença, fomentadas pelos mesmos que provocaram a crise em que nos encontramos mergulhados, sem se deixarem envolver em aventuras armadilhadas, tipo "maiorias silenciosas", que as forças de direita e de extrema direita possam criar, com falsas promessas que, sabemos bem como sempre acabam, mesmo que se proponham "pôr ordem nisto" como em 1926.

Nós portugueses, bem como os outros europeus, sabemos muito bem como é curto o conceito de liberdade para essas pessoas.

José Ferreira dos Santos, membro da Assembleia Municipal de Matosinhos pelo Bloco de Esquerda

{easycomments}

 
< Artigo anterior   Artigo seguinte >
tit_otaemdebate.png
tit_esquerda.png
Esquerda 40: Não tem que ser assim
Leia aqui o jornal "Esquerda"
Clique na imagem para aceder ao Esquerda 40 em pdf
Outros números do jornal Esquerda
Assinatura do Jornal Esquerda
Participe
Crise Financeira Mundial
Reforma de 186 euros, depois de trabalhar 35 anos
O nosso leitor Armando Soares, conta-nos a revolta da sua esposa: "com a mesma idade que eu (60 anos) começou a trabalhar antes dos 10 anos, a descontar aos 14, sempre trabalhou, sempre descontou, até que um dia tinha ela 50 anos, o patrão resolveu fechar a empresa (...) Terminou o desemprego próximo dos 55 anos, meteu reforma antecipada, ganha actualmente 186 euros, trabalhou uma vida 35 anos, qualquer rendimento é maior do que o ordenado dela (...)".
Publicamos ainda opiniões de Luís Peres e José Lopes.

Ler Mais
Educação em Debate
© 2017 Esquerda.Net
Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.