Cuba: onda repressiva depois da morte de preso criar PDF versão para impressão
25-Fev-2010
Cubanos assinam livro de condolências pela morte de Orlando Zapata Tamayo. Foto EPA/ALEJANDRO ERNESTODezenas de detenções visariam impedir protestos no funeral de Orlando Zapata Tamayo, falecido depois de greve de fome. Lula lamenta a morte. Amnistia pede libertação de todos os presos de consciência.


A Comissão Cubana de Direitos Humanos e Reconciliação Nacional denunciou que pelo menos 50 pessoas foram presas ou retidas em casa depois da morte de Orlando Zapata Tamayo, um preso político que faleceu depois de 85 dias de greve de fome.

As detenções teriam como objectivo tentar conter as homenagens públicas a Zapata Tamayo.

Esta quarta-feira ocorreu um funeral simbólico que juntou cerca de uma centena de pessoas em casa da líder de um grupo oposicionista feminino, em Havana.

O funeral deve ocorrer esta quinta-feira em Banes, a 830 quilómetros de Havana, terra-natal de Zapata Tamayo.

O presidente do Brasil, Lula da Silva, que se encontra em visita oficial a Cuba, afirmou que lamenta profundamente a morte de Orlando Zapata, desmentindo que tivesse recebido uma carta de dissidentes cubanos, no domingo, a pedir-lhe que intercedesse por Zapata, que então já estava em estado crítico.

A seu lado, o presidente cubano, Raúl Castro, disse: "Lamentamos muito. Ele (Zapata) foi sentenciado a 3 anos por ter causado problemas e foi levado aos nossos melhores hospitais. Morreu. Nós lamentamos muito". E prosseguiu: "Em meio século, não assassinámos ninguém aqui. Aqui ninguém foi torturado", acrescentando que "houve tortura na Ilha de Cuba, sim senhor, mas na base de Guantánamo, que não é nosso território."

A Amnistia Internacional apelou a Raúl Castro que liberte imediata e incondicionalmente todos os prisioneiros de consciência do país.

"A morte trágica de Orlando Zapata Tamayo é a ilustração dramática do desespero em que se encontram os prisioneiros de consciência que não vêm esperança de poderem ser libertados da sua prisão injusta e prolongada," afirmou Gerardo Ducos, da Amnistia Internacional, que pediu que seja levada a cabo uma investigação exaustiva para estabelecer se a sua morte poderá ser consequência de maus tratos.

Orlando Zapata Tamayo foi detido em Março de 2003, e em Maio de 2004 foi condenado a três anos de prisão por "desrespeito", "desordem pública" e "resistência".

Foi depois julgado várias vezes por outras acusações de "desobediência" e "desordem num estabelecimento prisional", a última vez em Maio de 2009.

Orlando Zapata Tamayo era um dos 55 prisioneiros de consciência adoptados pela Amnistia Internacional em Cuba.

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