Afirmar a escola como bem público criar PDF versão para impressão
02-Mar-2010
Afirmar a Escola como bem públicoPara a última sessão da tarde do Domingo a Cultra escolheu o tema da educação e convidou o professor António Nóvoa. A deputada Ana Drago comentou a apresentação que destacou a necessidade da a afirmação da escola como bem público.

Para António Nóvoa , a afirmação da escola como bem público é mesmo uma questão essencial no debate das políticas de esquerda para a educação. Nóvoa “prometeu” não falar dos professores, assunto sobre o qual dedicou muitos anos de investigação, mas destacou a necessidade de evoluirmos do conceito de “escola”, para o conceito de “espaço público de educação”.Neste sentido defendeu a ideia de que “a escola não pode fazer tudo”, “deve ser apenas uma das instituições do espaço público de educação”.

No conceito defendido pelo professor destacou-se a necessidade de reforço do espaço público de educação, “um novo contrato educativo”. Nóvoa afirmou ainda que a escola hoje sofre com o excesso de missões, estando “pouco direccionadas para as tarefas educativas que lhe dizem respeito” “à escola o que é da escola, à sociedade o que é a da sociedade”.

Ana Drago destacou que todo o colóquio parecia ser em torno de questões fundamentais e que a educação também deveria reflectir nestes termos. Convidando os ouvintes a reflectir sobre a escola, suas crises, e os seus sucessos, a deputado do Bloco de Esquerda afirmou que, mais uma vez, a questão fundamental no debate sobre educação voltava a centrar-se na questão do “para que e para quem”: “A escola serve para que? Para quem?” questionou a deputada.

Para a deputada 3 ideais fundamentais fixas, advindas da retórica que se instalou na implementação de políticas públicas, são as principais dificuldades enfrentadas pela esquerda na construção de políticas para educação. Uma primeira, ligada ao ideal de “mais escola, mais democracia, mais tempo lectivo,mais currículo”, que levou aos excessos curriculares que dominam amplamente as actuais orientações de políticas para educação. A segunda ideia assenta na crença de que uma maior diversificação de oferta permite mais igualdade, o que gerou, segundo a deputada, o nefasto efeito da dualização da oferta pública de ensino. Por fim a ideia de que mais avaliação traria mais democracia, mais transparência, que na prática revelou-se como limitadoras da própria escola.

Na última parte da sua intervenção Ana Drago questionou: “Para que e para quem? Que escola? Quem entra no espaço escolar? Quem manda na escola?”, e lembrou alguns temas polémicos como o das cameras de vigilância e a constituição de verdadeiras “escolas fortaleza” que, ao invés de incluir, segregam. A deputado do Bloco de Esquerda apontou ainda 3 caminhos: (1) Trabalhar sobre a diversidade, tendo em vista que a massificação não respondeu aos anseios da sociedade; (2) A multiplicação dos actores (mais profissionais e mais pessoas, questionando ainda quem entra no espaço escolar); e, por fim, (3) Mais experimentação social (novos modelos de gestão, de pedagogia) mais inovação dentro do espaço escolar, da gestão, na autonomia, nas técnicas pedagógicas.

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