Mário Soares ataca privatizações do PEC criar PDF versão para impressão
14-Mar-2010
Depois de Alegre, também Soares ataca o plano de privatizações de Sócrates. Foto Sento Acosta/Flickr"Não compreendo como é que se vai privatizar os CTT e uma empresa bandeira como é a TAP, ou outras companhias", disse o ex-presidente da República, somando-se às críticas de Manuel Alegre ao PEC.



"Não podemos estar a desbaratar o nosso património", acrescentou Soares num debate promovido pela federação do PS/Setúbal. "Para haver justiça social não podemos fazer de conta que entrámos com milhões para salvar bancos, mas que depois não sabemos nada desses bancos e que não culpemos ninguém de entre os culpados que lá estão", disse o histórico socialista, antes de defender que "este clima de impunidade não pode continuar".

Mário Soares mostrou-se ainda desiludido com a resposta europeia á crise. A Europa "reagiu muito mal à crise", criticou, afirmando que "a solidariedade europeia ficou muito escondida", uma vez que "a unidade entre os países da Europa não existe". "O que há é um pequeno grupo de países, como a Alemanha, a França, a Itália e o Reino Unido, que se juntam entre si e tomam decisões", apontou o ex-presidente.

A intervenção de Soares contou ainda com críticas ao próprio partido de que foi fundador, antevendo mesmo que o PS pode "tornar-se um partido morto e ineficaz" e que "se cai o Governo então é muito pior". "Nos próximos anos, o agudizar da crise vai obrigar-nos a ver as coisas com mais lucidez e a ser um Partido Socialista mais activo, porque as respostas para a crise passam por um socialismo democrático a sério", defendeu Soares.

"O PS tem feito muito poucas reflexões sobre os problemas e sobre as ideias. Precisa ser um partido independente em relação ao Governo, embora apoie o Governo", defendeu Soares, apontando o "triângulo mágico" de políticas que o Estado deve ter: a luta contra o desemprego, a pobreza e as desigualdades sociais. Caso uma das faces do triângulo seja esquecida, previu Mário Soares, "pode acontecer-nos algo de semelhante ao que se passa pela Europa fora e que são as revoltas sociais".


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