Padre ameaça com excomunhão, P. Portas ataca Procuradora criar PDF versão para impressão
19-Jan-2007
Paulo PortasO Padre Tarcísio Alves ameaçou de excomunhão todos os cristãos que votarem sim no referendo de dia 11 de Fevereiro. Para o cónego de Castelo de Vide os que votarem sim «não podem casar, baptizar-se nem ter um funeral religioso». E avisou que no dia do referendo «até as irmãs vão sair dos conventos porque senão também incorrem num pecado de omissão».Já Paulo Portas protestou contra a participação de Maria José Morgado na campanha pelo sim, enquanto João César das Neves comparou o aborto ao telemóvel, receando que a chegada de «um produto novo ao mercado» faça aumentar a procura. Gentil Martins defendeu a cadeia para as mulheres que abortem duas vezes.

 

Paulo Portas dirigiu um requerimento ao Procurador Geral da República questionando a legalidade da participação de Maria José Morgado numa conferência sobre o referendo promovida pelo PS. O ex-líder partidário refere ainda que, independentemente da opinião da magistrada (que defende o «sim» ao aborto), «Portugal tem uma lei em vigor sobre a questão do aborto e que vincula o Estado». Paulo Portas não tem convivido bem com a actual Procuradora adjunta, foi durante o Governo de coligação PSD/CDS que Maria José Morgado foi afastada da direcção do combate à corrupção.

A desorientação do «Não» revela-se também no radicalismo dos argumentos utilizados. Para o economista João César das Neves a «liberalização» do aborto é seguida de «uma cultura abortista, em que este passa a ser uma coisa normal». Para Gentil Martins, ex-bastonário da Ordem dos Médicos, e um fervoroso adepto do «não» à despenalização do aborto, as mulheres que pratiquem mais do que um aborto devem ser punidas: «A maioria das mulheres não merece ser punidas, mas algumas devem. Uma mulher que faz do aborto regra merece ser punida pelo desrespeito pelos valores da vida». Fica apenas a dúvida se o médico defende a alteração da lei para penalizar apenas as mulheres que abortem mais do que uma vez que, segundo o próprio, são uma minoria.

A deputada independente pelo PS, Rosário Carneiro, aderiu ao «Movimento Independentes pelo Não» que relatou o facto como uma conquista histórica. Segundo este movimento Rosário Carneiro teria apoiado o Sim em 1998 e estaria agora convencida da bondade dos argumentos do Não. Num pequeno detalhe esta notícia é errada: Rosário Carneiro votou Não em 1998, votou sempre na Assembleia da Republica contra a despenalização do aborto e defendeu sempre a continuação da lei criminal. Ao que tudo indica os defensores da actual lei que criminaliza as mulheres estão em dificuldades para anunciar novas aquisições, numa altura em que o campo do Sim se alarga com um grande número de deputados do PSD, tendo também a única deputada do CDS/PP, Teresa Caeiro, rejeitado as posições do Não.

 
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