Tailândia: Exército ocupa centro de Bangkok criar PDF versão para impressão
19-Mai-2010
Vermelhos resistiram até o limite. Foto de Nate Robert, FlickRMilitares usaram tanques para esmagar as barricadas dos Vermelhos. Muitos edifícios foram incendiados. Por Tomi Mori, de Tóquio, para o Esquerda.net.

O exercito tailandês, numa brutal operação que se iniciou na quinta-feira passada, após o atentado a tiro que vitimou Khattiya Sawasdipol, o "Comandante Vermelho", tomou nesta quarta-feira o centro de Bangkok. Os tanques do exército avançaram sobre as barricadas vermelhas, abrindo caminho para que os soldados pudessem marchar sobre o acampamento dos manifestantes, que se encontravam entrincheirados no local desde Março.

Um massacre que custou nos últimos dias a morte de mais de 40 pessoas, entre as quais a de um fotografo de uma agência de noticias italiana, e centenas de feridos.

Na impossibilidade de se defenderem nessa batalha desigual, os líderes vermelhos foram obrigados a render-se e chamar os manifestantes a voltarem para casa, para evitar um banho de sangue maior ainda. Mas não impediu que a revolta fosse aniquilada.

Após a invasão do exercito, manifestantes atearam fogo a diversos prédios, o que fez Bangkok arder em chamas, com cenas trágicas que demonstram a profundidade da situação. Os manifestantes incendiaram a sede do Channel 3 de Televisão, que acusavam de estar ao lado do governo. Mais de cem pessoas ficaram presas no incêndio, forçando a evacuação por helicóptero. Atearam fogo também ao prédio da Bolsa de Valores, da Metropolitan Electricity Authority e do Central World, um dos maiores centros comerciais da Ásia. No céu da cidade uma densa coluna de fumo negro podia ser vista à distancia.

Noutras partes do país também foram registados confrontos, sendo que em Udon Thani foi incendiada a sede do governo. Também destruíram a câmara municipal de Khon Kaen. O exército ocupou o centro da cidade, mas ainda existem vários locais onde os manifestantes estão concentrados.

Foram impostas medidas ditatoriais, como o toque de recolher entre as 20h e as 6h da manhã, o que não se via desde 1992. O governo decidiu também que os canais de televisão deveriam divulgar comunicados do governo, usando o tempo de maneira a que a televisão não pudesse divulgar as cenas do massacre ao centro da capital.

Teme-se que novos confrontos aconteçam a qualquer momento. De qualquer prisma que se observe, a Tailândia vive uma enorme crise. Uma crise produto da falta democracia, que é, infelizmente, uma das coisas mais em falta no país, e bandeira pela qual os vermelhos travam esta heróica e histórica luta.

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