Maré negra ataca há um mês quase sem oposição criar PDF versão para impressão
21-Mai-2010
Maré negra: Tragédia ambiental sem fim à vistaUm mês depois da explosão na plataforma "Deepwater Horizons" da BP no Golfo do México, o crude continua a jorrar dos escombros a cerca de 1500 metros de profundidade.

As autoridades norte-americanas estenderam a proibição de pescar a 19 por cento das águas federais, 55 quilómetros de pântanos foram destruídos, a maré negra avança "sem direcção definida" e os meios de combate adoptados não contêm nem escoam o fluxo da massa poluente.

Thad Allen, almirante da Guarda Costeira dos Estados Unidos afirma: "lutamos contra uma ameaça sem direcção definida". Segundo especialistas que tentam investigar o rumo da maré negra que a partir do Golfo do México já atingiu zonas costeiras norte-americanas, parte do crude libertado pela explosão entrou numa corrente oceânica que o conduz em direcção à Florida e a Cuba e ameaça agora a terceira mais importante barreira de coral do mundo. Autoridades dos Estados Unidos e de Cuba estabeleceram contactos sobre o assunto e procuram agora em conjunto travar a progressão da tragédia.

Imagens da explosão divulgadas pela BP - "a conta-gotas", acusam responsáveis norte-americanos - revelam a carência de medidas de segurança na plataforma e demonstram que a empresa não informou o governo e os meios de comunicação sobre a verdadeira dimensão da tragédia. Vídeos mostram que continuam a jorrar grandes quantidades de crude dos orifícios abertos pela explosão, apesar de a BP afirmar - embora sem dar pormenores do método utilizado - que consegue recuperar 40 por cento do petróleo bruto lançado nas águas. Grupos ambientalistas, porém, alegam que mesmo que isso fosse verdade as quantidades realmente em fuga superam em cinco vezes as capacidades de recuperação anunciadas pela BP.

Perante a dimensão da catástrofe, as autoridades dos Estados Unidos estenderam a proibição de pesca a 19 por cento das águas federais, medida que tem gigantescas repercussões sociais e económicas.

Além disso, segundo especialistas, 55 quilómetros de pântanos da Lousiana foram destruídos e as consequências do impacte sobre a fauna e a flora podem demorar décadas a ser reparadas. As zonas pantanosas do Estado de Lousiana albergam centenas de espécies de vida animal, algumas delas únicas e em vias de extinção.

A maré negra atingiu também as praias de Venice, no mesmo Estado.

Um mês depois da explosão - que provocou 11 mortos - todas as medidas de combate à fuga de crude explicadas pela BP fracassaram. O único método em que a empresa afirma ter êxito não é do conhecimento público.

Uma comissão do Senado dos Estados Unidos procura averiguar todas as circunstâncias relacionadas com a tragédia ambiental de modo apurar responsabilidades e punir os culpados, mas o trabalho já realizado ainda não teve quaisquer resultados concretos.  


Artigo publicado no site do Bloco no Parlamento Europeu  

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