O sindicalismo que faz falta criar PDF versão para impressão
26-Nov-2009

Carlos CarujoO sindicalismo foi uma das principais armas dos/as mais desfavorecidos/as nas sociedades modernas. Devemos-lhe muitos dos direitos sociais que hoje (ainda) se têm por adquiridos. Mas, ao contrário do que alguns pensam, mesmo à esquerda, nem este caminho está (nunca) terminado, nem o sindicalismo tem os seus dias contados, enquanto forma de representação e de organização dos/as trabalhadores/as. Na sociedade precária, o sindicalismo não é descartável. Antes pelo contrário.

Relembrado este valor óbvio dos sindicatos, sublinhe-se o quanto é necessário fazer dos caminhos do sindicalismo um dos debates permanentes da esquerda. Sem sectarismos mas com clareza. Um sindicalismo feito apenas de funcionários do sindicato e de dirigentes eternizados nos cargos, que fala em nome dos/as trabalhadores/as mas que não os/as chama a tomar as principais decisões da vida sindical afastá-los-á. Um sindicalismo que é visto como se de um quintal partidário se tratasse ou como um gabinete de apoio jurídico é empobrecedor. Um sindicalismo que é visto pelos/as precários/as e trabalhadores/as temporários/as como um assunto dos/as outros/as, dos/as mais velhos/as ou dos/as efectivos/as não se enquadra nas estruturas de trabalho actuais. Um sindicalismo que é visto apenas como negociador de décimas salariais será valorizado, mas dificilmente será vivido. Será um sindicalismo deles e não um sindicalismo de todos/as.

É preciso um sindicalismo participativo que responda ao individualismo instalado, à crise da democracia e da cidadania através da promoção permanente da participação e do alargamento dos espaços de tomada de decisão pelas bases. É preciso um sindicalismo que não se barrique nas direcções sindicais, que não faça dos seus estatutos uma forma de dissuadir a constituição de listas para as eleições sindicais e é preciso que saiam das eleições sindicais estruturas que sejam plurais. É preciso um sindicalismo com estruturas menos pesadas e mais ágeis, que inclua trabalhadores precários e que coloque a precariedade no centro das suas preocupações. É preciso um sindicalismo de proposta que impulsione os debates que interessam em vez de ser uma forma de reacção aos ataques constantes dos governos. É preciso um sindicalismo que veja as questões laborais como isoladas, que não seja corporativo, um ecosindicalismo, um sindicalismo feminista, um sindicalismo dos direitos dos imigrantes.

Venha o debate sobre o sindicalismo que temos e o sindicalismo que queremos.

Carlos Carujo

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