Modernices criar PDF versão para impressão
11-Dez-2009

João Ricardo VasconcelosAs suspeitas que agora recaem sobre a Fundação das Comunicações Móveis, a famosa fundação que gere nomeadamente a distribuição do Magalhães, possuem índices de paradoxalidade elevada. São mais do que conhecidos, e vêm em todos os manuais, os problemas e fragilidades destes tipo de organismos que se auto-denominam como a nova e moderna Administração Pública. O reverso da sua suposta modernidade, flexibilidade e gestão privada é naturalmente a discricionaridade, a falta de transparência e um muito menor dever de prestação de contas. Tudo isto no desempenho de funções públicas e beneficiando normalmente do Orçamento de Estado.

As fundações e as empresas públicas e outro tipo de entidades que se enquadram na Administração Autónoma do Estado acabam por poder ser o melhor de dois mundos para muitos. Permitem grandes liberdades de contratação de serviços (dos amigos, p/ex), de definição de vencimentos (dos amigos, p/ex) e até de prémios (dos amigos, p/ex). É a nova Administração Pública no seu melhor e que é apresentada como paradigma de modernidade contra a velha administração pública, burocrática e ineficiente.

A Fundação das Comunicações Móveis é apenas mais uma das centenas de organismos criados nestes moldes de modernidade, quer na Administração Pública Central, como também na Local (veja-se o caso das empresas municipais). Os problemas que lhe estão a ser apontados não são circunstanciais, mas sim estruturais. A confusão em torno da FCM apenas está a acontecer pelo mediatismo do projecto Magalhães e porque agora é um bom momento sobretudo para o PSD. Tornou-se, por isso, uma presa fácil e muito útil.

No meio deste cenário decadente, continuamos a ter de levar com falsos moralismos exigindo transparência, nomeadamente por parte do PSD, um dos mais acérrimos defensores desta "moderna" administração pública. E como se tal não bastasse, ficamos com a certeza que o seguinte fenómeno não mudará: os mesmos partidos que enchem a Administrações Pública central e local com os seus quadros e amigos para a gerir, continuarão paradoxalmente a pregar a sua ineficiência e a necessidade de haver mais administração pública moderna e dinâmica. É todo um ciclo que vai entretendo a opinião pública.

João Ricardo Vasconcelos, politólogo, gestor de projectos e autor do blogue Activismo de Sofá

{easycomments}

 
< Artigo anterior   Artigo seguinte >
© 2019 Esquerda.Net
Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.