Juventudes e esquerda alternativa criar PDF versão para impressão
15-Dez-2009

João Teixeira LopesUm dos maiores erros que um partido de esquerda alternativa (falo do Bloco, claro!) poderia fazer, no envolvimento das juventudes, seria reproduzir os valores e as orientações do núcleo-duro dos activistas. A isso chama-se o efeito espelho: a procura de confirmação narcísica de nós mesmos e das nossas visões do mundo sem ousar o confronto com a diversidade e a diferença. A isso pode também chamar-se o efeito de seita: cristalizada na auto-glorificação e pouco preocupada em fazer pontes. A isso, finalmente, pode chamar-se o princípio da auto-representação: nós lutamos apenas por nós.

Um partido de esquerda alternativa não pode, de igual modo, considerar a equivalência entre os meios e os fins: participar seria já um fim em si mesmo; fazer a festa ou a performance justificaria, por si só, a acção política. Resultados são precisos! Um partido de esquerda alternativa deve procurar, por isso, representar os jovens explorados, nas diferentes arenas em que tal acontece. Assim como não é legítimo esquecer todos e todas que são discriminados em função da sua orientação sexual, não é menos injusto ignorar os precários e todos os que são oprimidos no local de trabalho ou a quem são negados direitos fundamentais no acesso à informação, à saúde, à educação.

Por isso, não pode haver um só terreno de eleição deste envolvimento nos combates. A escola é crucial (até porque as «associações de esquerda» resvalam cada vez mais para a aceitação da fatalidade da míngua de acção social, das propinas ou das novas relações de poder nas Universidades, compactuando alegremente com os grupos da praxe e fazendo uma triste economia do combate à orientação das políticas educativas) mas fundamentais são também os sindicatos, os movimentos de precários, as associações de defesa dos Direitos Humanos, o movimento dos movimentos (alterglobalização) que parece estar esquecido mas que, Europa fora, Mundo adentro, ressuscita em cada momento estratégico, como agora, em Copenhaga.

De igual modo, o anticapitalismo deve ser uma linguagem de unificação (sem receitas ou breviários, usando a imaginação para estabelecer conexões entre as multiformes e multilocalizadas opressões da vida quotidiana com o funcionamento sistémico da exploração). Evitemos os caminhos e os locais óbvios. Afirmemo-nos além de um humanismo radical. Não percamos a motivação da superação deste estado de coisas.

João Teixeira Lopes

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