Referendo não é sobre uma questão religiosa criar PDF versão para impressão
22-Jan-2007

Conferência do BE, Lisboa 20 Janeiro - Foto de André Beja"Do lado do ‘sim', continuaremos a dizer que esta não é uma questão religiosa, é uma questão de escolher o código penal que queremos", afirmou Francisco Louçã numa conferência sobre as consequências da despenalização do aborto.
Noutra iniciativa pelo Sim algumas centenas de pessoas marcharam entre a marginal de Matosinhos e a praia do Molhe no Porto.
Entretanto o Bispo Auxiliar do Porto alertou para os riscos da radicalização do discurso do "não".

"Penso que se devem evitar todas as radicalizações. Corre-se o risco, à medida que se fazem sondagens, que se comece a pensar: «Parecia que havia um voto garantido e agora já não há, parece que está a ser derivado para o outro lado»" avisou D. António Carrilho, Bispo Auxiliar do Porto à Rádio Renascença. Na mensagem, dirigida à campanha do ‘não', o bispo acrescentou que o esclarecimento por parte da Igreja Católica está a ser feito como deve.

Francisco Louçã na referida conferência realizada em Lisboa acusou os movimentos do ‘não' de estarem a transformar o debate numa questão religiosa e criticou a argumentação de diversas personalidades da direita.

«Gentil Martins é um homem que às vezes tem uma vaga generosidade. Ele defende que a mulher deve ser punida não da primeira vez que faz um aborto, mas da segunda. E eu pergunto como será a técnica Gentil Martins para cadastrar as mulheres?» criticou ironicamente F. Louçã, que acusou ainda Maria José Nogueira Pinto de defender que a contracepção deve ser condicionada e que a pílula não deve ser administrada a mulheres analfabetas.

Na conferência a advogada Alice Brito falou sobre as consequências da criminalização no âmbito jurídico; João Teixeira Lopes sobre as consequências do ponto de vista social. Isabel do Carmo, que falou das consequências do ponto de vista da saúde pública, lembrou o que muitas mulheres sofrem em consequência de interrupções de gravidezes mal realizadas e defendeu o voto no «sim» pela conquista da igualdade social.

 
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