Aborto: SNS tem capacidade de resposta criar PDF versão para impressão
23-Jan-2007
medicospelaescolha070123lusO movimento Médicos pela Escolha defendeu ontem que o Serviço Nacional de Saúde (SNS) tem capacidade para dar resposta aos pedidos de aborto, se a lei for alterada e o aborto despenalizado.
"Uma vez modificada a lei, é necessária uma estruturação de serviços e determinações do ministério da Saúde, de forma a que os serviços passem a organizar-se da melhor maneira para fazer face às necessidade da população", disse Ana Campos, directora do serviço materno-fetal da Maternidade Alfredo da Costa e mandatária do movimento.

Para Ana Campos, aos serviços compete definir "equipas que não precisam de ser muito numerosas, três ou quatro pessoas, com médicos e enfermeiros e um secretário de unidade, que se organizam para dar resposta semanalmente aos pedidos de interrupção da gravidez».

Além disso, a mandatária sublinhou que a actual estrutura montada entre os hospitais e centros de saúde deve ser rentabilizada, e também a necessidade de dar formação aos profissionais e de ter equipamentos adequados às várias técnicas.

Vasco Freire, médico do mesmo movimento, criticou afirmações proferidas pelos movimentos pelo Não, que disseram que se Sim vencer, fazer um aborto seria como usar um telemóvel: "Estas afirmações já não convencem a população e não dignificam as mulheres", disse.

O movimento defendeu ainda que os objectores de consciência na classe médica devem assinar uma declaração para que se possa saber "quais os recursos humanos com que se podem contar".

Ana Campos apresentou ainda alguns estudos de revistas médicas internacionais que revelam que o aborto ilegal leva à morte de 68 mil mulheres por ano, seis por hora, enquanto o aborto legal provoca a morte de uma em cada 100 mil mulheres anualmente.

Os custos do tratamento do aborto ilegal são dez vezes superiores ao do aborto legal, disse, relembrando que actualmente os utentes pagam os custos das complicações causados pelos abortos ilegais.

 
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