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15-Jul-2006

FALÊNCIA DO MODELO ENERGÉTICO
torreesfriaA emissão de gases ameaça o planeta. O preço do petróleo bate recordes, aproximando-se actualmente dos 80 dólares por barril, o maior valor de sempre. Vivemos uma crise do actual paradigma energético mundial, o qual assenta no uso de combustíveis fósseis, o petróleo, o carvão e o gás natural. Esta crise é simultaneamente energética, ambiental, geopolítica e democrática.
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Crise energética: As reservas de combustíveis fósseis são, por definição, limitadas e sabe-se que não vão durar para sempre. A tendência para o aumento do consumo mundial de energia (em especial pelas economias emergentes, como a China e a Índia) vem acelerar o declínio destas reservas. Hoje aproximamo-nos se não do fim do petróleo pelo menos do fim do petróleo barato. Começa-se, assim, a colocar dúvidas na capacidade de garantir a segurança no abastecimento de energia e a preços comportáveis no consumidor (os objectivos históricos da política energética europeia). Este facto torna vulneráveis as economias dependentes destes recursos uma vez que os encargos com as importações tendem a crescer de forma imprevisível.

Crise ambiental: A queima dos combustíveis fósseis, para produção de electricidade ou como combustível para transportes, emite gases de efeitos de estufa (GEE), responsáveis pelas alterações climáticas e todos os efeitos associados (ambientais, sociais e económicos). Os compromissos assumidos no âmbito do protocolo de Quioto, nomeadamente a internalizaçao dos custos das emissões de CO2 (pelo comércio de emissões) aumentam os custos de produção e, consequentemente, dos preços junto do consumidor final: o incumprimento das metas acordadas para cada país vai-se traduzir num pesado encargo para a despesa pública. Outros problemas ambientais se podem também associar a este modelo energético: a contaminação dos recursos costeiros (ex. "marés negras") e hídricos, a poluição de solos, a acidificação da atmosfera (ex. chuvas ácidas), entre outros.

Crise geopolítica: as reservas de combustíveis fósseis, sobretudo do petróleo, estão concentradas em poucas regiões do mundo. O controlo dessas reservas (nomeadamente através da guerra, da instabilidade política dessas zonas, ...) por poucos faz com que a maioria dos países tenha dependência económica (e, em consequência, politica) do exterior.

Crise democrática: a produção centralizada de energia leva à constituição de monopólios "naturais" que controlam a produção e abastecimento. A propriedade e gestão do sector energético foi, então, durante largos períodos predominantemente pública. A partir dos anos 80 começa-se a impor as noções de competitividade do sector e de liberalização e utilização dos instrumentos de mercado, como substitutos da convencional planificação estatal. Prevê-se que com a abertura dos mercados energéticos, no médio-longo prazo, se assista à concentração empresarial do sector (após um curto período de aumento da concorrência): torna-se previsível o aumento das tarifas eléctricas (pela concertação entre empresas) que os grandes consumidores de energia sejam privilegiados e o desperdício energético incentivado, que a qualidade do serviço diminua (ex. apagões), ....

 
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