Católicos salientam o que está em causa no referendo criar PDF versão para impressão
28-Jan-2007

Julgamento AveiroFrei Bento Domingues, num relevante artigo publicado ontem no jornal "Público", afirma: "Creio que é compatível o voto na despenalização e ser - por pensamentos, palavras e obras - pela cultura da vida em todas as circunstâncias e contra o aborto".
Noutro artigo, publicado no DN, o padre e professor de filosofia Anselmo Borges salienta a diferença entre níveis de debate e afirma: "Sem esquecer os aspectos biológicos, o problema moral e as suas raízes filosóficas e religiosas, o que se pergunta é se a mulher que aborta, num determinado quadro legal - se cumprida, a actual lei bastaria -, deve ser penalizada". E conclui: "No seu drama, em lugar de uma punição penal, do que ela precisa sobretudo é de solidariedade."

No artigo com o título "Nem mais, nem menos", Frei Bento Domingues afirma-se "incompetente" para "dizer aquilo que a sociedade civil (...) as diferentes expressões e poderes do Estado, deve fazer para criar um ambiente cultural, social, político e espiritual que estimule a alegria de ter filhos e de os educar com gosto" e acrescenta "embora saiba que, enquanto ter filhos for um pesadelo, não adianta pensar muito no aumento da natalidade".

O dominicano afirma também a sua "incompetência" para "sustentar que a hierarquia da Igreja fez bem ao entregar, apenas, às leis da natureza a regulação da natalidade".

Frei Bento Domingues salienta depois que: "É saudável, é normal que a lei de um Estado laico não tenha que estabelecer o que é bem e o que é mal sob o ponto de vista religioso. Não desejaria ver os Estados europeus a adoptarem regimes equivalentes aos da Arábia Saudita ou do Irão: o Estado e a sociedade regidos pela lei ou pela ética religiosas".

Depois de criticar certas afirmações, "Comparar o aborto ao terrorismo é fazer das mulheres aliadas da Al Qaeda. A retórica deve ter limites", Frei Bento Domingues afirma a compatibilidade entre ser pelo Sim e ser pela cultura da vida e conclui: "O "sim" à despenalização da interrupção voluntária da gravidez, dentro das dez semanas, é contra o sofrimentos das mulheres redobrado com a sua criminalização. Não pode ser confundido com a apologia da cultura da morte, da cultura do aborto, embora haja sempre doidos e doidas para tudo".

O artigo do padre Anselmo Borges intitulado "Contingência e abortamento" publicado ontem no DN está disponível aqui

 
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