A Maratona de Nairobi criar PDF versão para impressão
26-Jan-2007
luis_branco.jpgEm vez da tradicional manifestação, a sétima edição do Fórum Social Mundial encerrou com uma Maratona pelos Direitos Fundamentais, com partida de Korogosho, uma das maiores favelas da capital queniana. Foi o bicampeão olímpico e actual recordista mundial Paul Tergat a dar o sinal de largada, mas a corrida era para os amadores e participantes deste Fórum que contou com 46 mil inscrições e mais de 1200 conferências, oficinas e actividades. A importância deste VII FSM deve-se em grande medida à sua localização, pela primeira vez em África. Muitos activistas dos movimentos sociais africanos puderam pela primeira vez discutir em presença as experiências dos movimentos na Europa e sobretudo numa América latina em transformação política, um processo que concentrou grande parte das atenções dos participantes.

A pobreza, a dívida externa, a privatização da água e o combate à SIDA foram alguns dos temas na agenda dos debates, num Fórum que ficará na memória do movimento feminista como a edição onde a sua presença se fez sentir com mais força. No final, a Assembleia dos Movimentos procurou sistematizar as agendas das lutas dos diversos sectores, como a oposição à ocupação do Iraque no dia 19 de Março, no quarto aniversário da invasão das tropas dos EUA, pelo fim das bases norte-americanas no médio-oriente e a compensação pelos danos causados ao povo iraquiano. O encontro anual do G-8 em Rostock é outra oportunidade para afirmar a oposição às politicas da guerra e do neo-liberalismo predador do planeta.

As vozes das alternativas que se juntaram no VII FSM, mesmo sem acesso aos grandes meios de comunicação globais, contrastam bem com o que se vai ouvindo de Davos, onde o Fórum Económico Mundial anda entretido a debater o uso da tecnologia nas tácticas de contra-terrorismo, ou seja, pôr em marcha as novas formas de um Estado policial para controlar toda a informação que diga respeito à vida de cada cidadã e de cada cidadão. Ao mesmo tempo, longe deste sonho dos donos do capital, um desempregado morador na favela habituado a caminhar 20 kms todos os dias para vender fruta e vegetais nas ruas de Nairobi, sorria por ser o primeiro a cortar a meta no Parque Uhuru. Para os participantes do Fórum, a maratona ainda agora começou.
 
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