Educação sexual na Suécia, sem tabus criar PDF versão para impressão
17-Mar-2007

sala_de_aulaOs países do norte da Europa que têm programas nacionais de saúde reprodutiva para todos os jovens são os que apresentam os menores índices de gravidez entre jovens, bem como de DSTs e de abortos do mundo desenvolvido. Na Suécia, as atitudes sociais em relação à sexualidade adolescente são liberais e a saúde sexual e reprodutiva constitui uma prioridade. Desde 1956 que a educação sexual é obrigatória nas escolas. O aconselhamento sobre contracepção é gratuito, e os contraceptivos são muito baratos, estando a pílula do dia seguinte facilmente acessível em todo o país. O programa de Educação Sexual nas escolas suecas é bastante amplo, não deixando de lado temas como a prostituição, a pornografia e as diversas orientações sexuais.

 



A Suécia foi o país pioneiro na implementação da Educação Sexual. Durante o século XIX e o início do século XX as doenças venéreas propagaram-se em grande escala neste país. Ainda em 1783 o governo tinha tomado a iniciativa de distribuir informação sobre estas doenças. Em 1897, a primeira mulher médica sueca, Karolina Widerstrom (1866-1949), desenvolveu iniciativas de educação sexual para raparigas de Estocolmo. Já na altura defendia que se os médicos fossem os únicos a darem educação sexual, então o sexo seria percebido como algo especial e estranho, tendo por isso pressionado os poderes públicos a implementar a educação sexual nas escolas.

Em 1942 o governo sueco recomendou às escolas que transmitissem conhecimentos aos alunos sobre as diferenças entre sexos e sobre questões do aparelho reprodutor e de higiene. Só em 1956 é que a educação sexual se tornou obrigatória nas escolas, embora ainda mantivesse uma natureza técnica e biologista. Esta situação alterou-se em 1970, quando a ênfase passou para a educação para a sexualidade, os afectos e as vidas em comum, tornando o currículo mais "suave" e "humano".

A educação sexual na Suécia apresenta quatro fases distintas, dependendo da idade dos alunos.
Dos 7 aos 10 anos, os assuntos estudados são a menstruação, o prazer com o próprio corpo, os contraceptivos, a fertilização, a gravidez e o parto, tópicos que são também considerados nos níveis etários seguintes ajustados à maturidade dos alunos.
Entre os 10 e os 13 anos são estudadas as alterações físicas na puberdade, as doenças venéreas, o exibicionismo, a homossexualidade e a pedofilia. No nível seguinte (dos 13 aos 16 anos) fazem parte do programa a desconstrução dos papéis sexuais e dos estereótipos, a família e o casamento do ponto de vista de diversas culturas, o aborto, a pornografia, a prostituição, a troca de carícias, a SIDA e o sexo seguro.
O desejo sexual com as suas variações de força e orientação, as paixões, as disfunções sexuais são alguns dos temas introduzidos nos programas a partir dos 16 anos.

Além da educação sexual nas escolas a Suécia tem cerca de 150 clínicas de atendimento a jovens, tendo sido aberta a primeira em 1960.

Contudo, nem tudo são rosas no sistema sueco. Durante os anos 90, num período de estagnação económica, o governo procedeu a cortes nos orçamentos das escolas, levando a um desinvestimento na área da educação sexual, ainda assim muito acima do tempo dispendido nos restantes países europeus. Por outro lado, outro dos desafios tem que ver com a presença de cada vez mais filhos de imigrantes, cujos pais têm uma atitude muito mais conservadora. Resolver conflitos entre a moral sexual libertária característica da sociedade sueca e a moral mais restritiva de outras culturas torna-se frequentemente difícil.

Muitos países europeus têm seguido o modelo sueco, que tem dado muito bons resultados ao nível da redução do número de abortos, doenças sexualmente transmissíveis e gravidez adolescente.

 
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