A cruzada conservadora de Bush criar PDF versão para impressão
17-Mar-2007
bush_ao_lado_da_cruzCada vez mais a educação sexual nos EUA é uma aula de desinformação, religião e preconceitos. Desde o início do seu mandato que Bush censura recomendações ao uso dos contraceptivos,  enquanto atribui verbas da ordem dos 200 milhões de dólares anuais a  programas de abstinência nas escolas. «A castidade funciona sempre», afirmou num dos seus discursos. E não contente, Bush decidiu globalizar a sua política, tentando boicotar todas as conferências internacionais que promovem a saúde sexual e reprodutiva e cortando na totalidade financiamentos a ONGs que promovam a contracepção e a informação sobre o aborto. George W. Bush aposta na bandeira da castidade como estratégia segura, de olho na extrema direita republicana, que se confunde com o eleitorado religioso mais conservador.



Mal chegou ao poder, George W. Bush, aumentou fortemente os fundos para programas que promovem a abstinência como única forma de proteger os adolescentes das doenças sexualmente transmissíveis e da gravidez indesejada.Em Dezembro de 2004, Henry Waxman encomendou um relatório sobre as aulas de educação sexual que promovem a abstinência entre os adolescentes americanos (impulsionadas por Bush), concluindo que a maioria delas continha graves falhas conceptuais.

"O estudo descobriu que pelo menos dois terços destes programas pró-abstinência financiados com verbas públicas baseiam-se em informação equivocada sobre a efectividade dos métodos anticoncepcionais, sobre os riscos do aborto, misturam religião e ciência, tratam dos estereótipos sobre rapazes e raparigas como se fossem factos científicos e contêm erros científicos básicos", aponta o documento nas mãos do representante Henry Waxman, senador pelo Estado da Califórnia.

Bush censurou sites de saúde do governo americano. Foram expurgadas da internet referências ao uso de preservativos para prevenir a SIDA e materiais didácticos de apoio às aulas de educação sexual. 'São decisões ditadas por uma ideologia, não pelo conhecimento científico', critica o deputado democrata Henry Waxman, da Califórnia, que protestou no Congresso contra a censura na internet. Um dos sites de onde desapareceram informações sobre preservativos foi o do Centro para Controle de Doenças (CDC), principal fonte de consulta sobre saúde pública no país. 'Há um esforço para bloquear informações sobre métodos anticoncepcionais e beneficiar programas que pregam a abstinência', afirmou na altura James Wagoner, presidente da ONG Advogados para a Juventude. Estes episódios fazem parte de uma cruzada do presidente George W. Bush em defesa dos valores familiares, que prega a castidade como única forma de prevenir doenças sexualmente transmissíveis e evitar a gravidez na adolescência.

'A castidade funciona sempre', disse Bush, na ocasião em que pediu ao Congresso um aumento de 30% na verba para programas de promoção da abstinência sexual. Para concorrer ao orçamento de 135 milhões de dólares, entidades não-governamentais que organizam esses projetos deveriam excluir do currículo qualquer menção a métodos anticoncepcionais.

Desde janeiro de 2001, o Governo Bush tem insistido em diversas políticas que vão aos poucos destruindo os direitos sexuais e reprodutivos em diversas partes do Mundo, através da canalização dos recursos existentes por meio de organizações e programas que promovem uma agenda política radicalmente conservadora, indiferente aos critérios científicos e de saúde pública.

Esta política exige que, em troca da ajuda dos Estados Unidos para os serviços de planeamento familiar, as organizações não-governamentais (ONGs) do exterior que recebem dinheiro por meio da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID) devem reter informações às mulheres sobre a opção de aborto legal e onde obter serviços seguros de aborto - mesmo que estas utilizem somente recursos próprios para fazê-lo. Além disso, os grupos não podem envolver-se em qualquer debate público nem divulgar qualquer informação relativa aos riscos de saúde decorrentes do aborto inseguro, expressar apoio a qualquer lei existente que ampare o aborto nem prestar serviços de aborto legal, mesmo que não sejam financiados pelos Estados Unidos. Esta política é contrária à lei dos Estados Unidos e seria considerada inconstitucional se imposta a organizações sediadas em solo americano

Em 27 de setembro de 2004, o então Secretário de Estado Colin Powell anunciou que uma parcela de um subsídio de 10 milhões de dólares para treinar e educar 150 mulheres líderes no Iraque seria concedida à organização Independent Women's Fórum (IWF) (Fórum de Mulheres Independentes). Co-fundada por Lynne Cheney, por Kate O'Beirne, editora da National Review e ex-Vice-Presidente da Heritage Foundation for Government Relations (Fundação Heritage de Relações Governamentais), e por outras pessoas, a IWF é uma organização ultraconservadora com um histórico explicitamente antifeminista. Embora supostamente essa organização deva promover a igualdade e a democracia para as mulheres iraquianas, na realidade tem-se oposto a várias iniciativas chave de promoção da igualdade de género nos Estados Unidos, incluindo a Lei da Equidade Educacional da Mulher, a Lei sobre a Violência contra a Mulher e o Título IX, a memorável lei federal que proíbe a discriminação de género na educação.


O Governo Bush, em aliança com o Irão, o Iraque, a Líbia, o Sudão, a Síria e o Vaticano, tentou bloquear o consenso sobre a educação sexual de qualidade no Período Extraordinário de Sessões da Assembleia Geral das Nações Unidas sobre a Criança, em Maio de 2002. O êxito da Delegação dos Estados Unidos teria impedido que as jovens com menos de 18 anos recebessem informações sobre abuso sexual, controle de natalidade, preservativos, serviços de saúde reprodutiva e prevenção do HIV/SIDA. O Governo Bush defendeu a abstinência, opondo-se a informações e serviços amplos para milhões de mulheres adolescentes do mundo todo, muitas das quais sexualmente activas, devido, entre outras causas, a casamentos prematuros arranjados ou a relações sexuais forçadas.

Para saber mais sobre a política de Bush em relação à saúde sexual e reprodutiva nos EUA e no mundo consulte o site da Coligação Internacional pela Saúde das Mulheres:

http://portugues.iwhc.org/bibliotecavirtual/aoutraguerradebush.cfm

 
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