A política de integração deste governo: tudo vai bem! criar PDF versão para impressão
17-Mar-2007
roberto_robles.jpgA Conferência sobre Imigração, realizada na Gulbenkian, a 6 e 7 de Março, e integrada no Ano Europeu da Igualdade de Oportunidades para Todos, trouxe-me à memória o curioso filme de Mathieu Kassovitz, "O ódio". Dele, retiro, resumida, a história-parábola colocada na boca de um dos miúdos que habitam um dos estigmatizados bairros sociais de Paris e que acreditam que a designação de cidade-luz advém dos focos dos interrogatórios policiais:
- Um homem cai do 50º andar e à medida que vai passando pelos vários andares vai repetindo para si próprio, por enquanto tudo vai bem.., por enquanto tudo vai bem ....
Da curta história, é ensaiada uma óbvia conclusão:
- O importante não é a queda, mas a forma como se aterra!

Voltando à supracitada Conferência, o nosso 1º Ministro J. Sócrates atirou, para o seu discurso da praxe, que "Portugal tem uma visão aberta e positiva da imigração"...
Por enquanto tudo vai bem!

Se bem nos lembramos e citando o insuspeito Relatório Europeu sobre Discriminação "Portugal é um dos países onde se verifica uma maior segregação das minorias étnicas no sector do alojamento, a comunidade cigana é a mais discriminada e além disso não apresenta dados oficiais sobre violência racial e crimes racistas".

Mesmo assim António Vitorino, comissário do Fórum Imigração, abusando do seu polivalente estatuto, não se coibiu de afirmar que «os indicadores internacionais mostram que Portugal tem uma política de integração de emigrantes, moderna e muito equilibrada».
Por enquanto tudo vai bem!

O Ministro da Presidência, Silva Pereira, não satisfeito, achou por bem referir que o relatório «é muito elogioso para o trabalho de Portugal em matéria de integração dos imigrantes na sociedade portuguesa».
Por enquanto tudo vai bem!

Na mesma parada, mas com o passo trocado, o SOS-Racismo emitiu um comunicado sobre esta Igualdade de Oportunidades, referindo inúmeros e recentes casos de atitudes racistas e discriminatórias em Portugal, das quais salienta as situações específicas e confirmadas da Worten e da Telepizza, que assumem a elaboração interna de uma relação de bairros excluídos, onde se recusam a proceder a entregas!

O site da Worten, no entanto, diz que garante as entregas em todo o território nacional, incluindo Madeira e Açores.

Excluindo o outro Portugal, acrescento eu...
A aterragem...

 
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