Novo aeroporto e TGV criar PDF versão para impressão
13-Abr-2007

Ligação aeroporto-TGVUma questão importante sobre o novo aeroporto, diz respeito à articulação que deve ter com a linha de Alta Velocidade (AV) prevista para a ligação Lisboa-Madrid.  A "solução OTA" é, deste ponto de vista, a que menos vantagem colhe numa perspectiva de ligação ao futuro hinterland do NAIL. Alguns técnicos argumentam que a OTA, por se situar no eixo mais densamente povoado de Portugal continental, é a solução que apresenta mais vantagens se for articulada com a linha de AV Lisboa-Porto. Esquecendo por um momento que a linha de AV Lisboa-Porto seria indiscutível (o que, em nossa opinião, é fortemente questionável), o facto é que, em relação à actual Portela, a "solução OTA" não é, do ponto do potencial de geração de tráfego de passageiros, factor que acrescente algo de significativo em relação à actual Portela.

Se, pelo contrário, o NAIL se situar no enfiamento da linha Lisboa-Madrid em AV, então será razoável admitir que o potencial de atracção do novo NAIL poderá chegar até bem dentro de Espanha (para além de Badajoz), o que tornaria o NAIL um pólo de atracção para muitas deslocações internacionais, para África ou para a América, com claras vantagens de tempo face a Madrid (1 hora até o NAIL, face às 2 horas em relação a Madrid). Para isso, bastaria que o NAIL se localizasse na Península de Setúbal, junto da linha de AV antes da entrada em Lisboa, e até mesmo com ligação directa à própria Portela.

Considerando que se anuncia para o Poceirão a construção da grande plataforma logística da AML (definida como tal no Plano Portugal Logístico), localizar o NAIL nas suas imediações transformaria aquela localização como a que melhor permitiria integrar a rede de AV com o novo aeroporto, numa solução tipo "2 em 1", ou seja, plataforma logística inter-modal rodo-ferroviária+plataforma logística aérea, na confluência das principais ligações estratégicas rodo-ferroviárias-aéreas do Continente. Note-se, por fim, que uma tal localização parece ser totalmente compatível com a terceira travessia ferroviária do Tejo pelo corredor Barreiro-Chelas, com possível terminal na Portela, em ligação subterrânea.

Construir uma tal plataforma logística inter-modal na solução "Poceirão" terá impactes ambientais significativos? Sem dúvida que sim. Mas já vai ter impactes significativos mesmo sem aeroporto, embora se saiba que, juntando-lhe um aeroporto, a dimensão desses impactes será muito maior. Confrontar essa hipótese com outras alternativas (Faias, surge também como hipótese, e, nesse caso, devia também ser considerada aí a plataforma logística e a ligação à linha de AV), é indispensável que se faça.

Até agora, o tempo tem corrido a favor do surgimento de outras "candidaturas" para localizações alternativas ao NAIL. Estamos agora, perante o tempo da avaliação de todas as candidaturas, porque ainda se está a tempo de proceder a essa avaliação e a esse estudo comparado. Em nome do bom uso dos dinheiros públicos e da parcimónia com que estes devem ser utilizados, em país onde estes não abundam.

A talho de foice, já agora, duas outras avaliações deviam também ser obrigatoriamente realizadas: uma, é a de saber quanto é que o Estado (isto é, todos os contribuintes...) estão "dispostos" a perder (isto é, a deixar de receber) se a privatização da ANA for o modelo escolhido para o financiamento da construção do NAIL, já que se trata de uma das empresas públicas que mais contribui para o financiamento do défice público; a segunda, é que, seguindo o exemplo exigido para o processo de avaliação Custo-Benefício para a "solução OTA/Alternativas", a mesma metodologia deveria ser utilizada na avaliação das linhas de AV, consideradas pelo próprio governo como "indispensáveis": as ligações Lisboa-Porto, Porto-Vigo e Lisboa-Madrid.

Essa "indispensabilidade", a exequibilidade e as vantagens dessas ligações precisam de ser demonstradas. Se os estudos existem e as comprovam, então mostrem-se esses estudos; se não, então o Governo tem a obrigação de os mandar fazer rapidamente, como forma de dar crédito a uma decisão que, no seu conjunto, envolverá o dispêndio de dinheiros públicos três-quatro vezes superior ao que está previsto como subsidiação pública para a construção da OTA. Ou então toda esta conversa de "alternativas", de "avaliações", etc não passará de conversa fiada...

 
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