GEBALIS: Relatório compromete Lipari Pinto criar PDF versão para impressão
10-Mai-2007

GebalisA meados de Abril a análise do Relatório de Contas da Gebalis, empresa municipal que gere os bairros camarários da cidade, é motivo para um episódio que marcou a história convivência entre Carmona Rodrigues e os vereadores do PSD nos últimos meses: Sérgio Lipari Pinto, o vereador com a tutela da Habitação e Acção Social, abandona a reunião de Câmara. Os ânimos acenderam-se logo no início da sessão, quando Lipari Pinto lê uma declaração sobre o relatório em questão.

O vereador referiu que «onde antes havia prejuízos acumulados de 5,9 milhões de euros, agora temos prejuízos que ascendem a 10,9 milhões de euros. Onde antes havia uma dívida a bancos de 15 milhões de euros, agora temos uma dívida que totaliza 24,4 milhões de euros» e que «em Março de 2007 já ascende a 27 milhões de euros». O passivo da Gebalis ultrapassou os 45 milhões de euros em 2006, segundo este responsável. Lipari Pinto aproveitou para  realçar a sua posição de total ausência de confiança técnica, funcional e institucional na administração da Gebalis, e solicitou a sua exoneração. Face à discussão que se seguiu o vereador abandonou a reunião, surpreendendo Carmona Rodrigues, que interrrompeu os trabalhos, retomados mais tarde com o Presidente a pedir que o relatório da empresa passasse para o último ponto da ordem de trabalhos. A discussão que se gerou no fim da reunião em torno do assunto, com a oposição a pedir a retirada do pelouro ao vereador, fizeram com que a proposta ficasse adiada.

Semanas antes o vereador mandou constituir uma comissão para avaliar o trabalho da empresa municipal, que produziu uma relatório que deu conta de algumas irregularidades praticadas pela empresa, nomeadamente na altura em que Maria José Nogueira Pinto, do CDS-PP tutelou a empresa, entre finais de 2005 e Novembro de 2006.

O presidente da Gebalis, Francisco Ribeiro, nomeado pela vereadora do CDS-PP, questionou a legalidade do relatório que Lipari Pinto, enviou de imediato para o Tribunal de Contas e Inspecção-Geral das Finanças, só mais tarde dando conta disso a Carmona Rodrigues. A lume vieram também informações da contratação para a Gebalis, de dezenas de militantes do PSD, nomeadamente da secção presidida pelo próprio Lipari Pinto, no periodo anterior à tutela da vereadora do CDS-PP, altura em que o vereador do PSD era o responsável pela empresa.

O Presidente enviou o relatório em causa para o Departamento de Auditoria Interna da Câmara, que concluiu pela existência de práticas de fraccionamento da despesa em empreitadas, obras lançadas por concurso limitado e por ajuste directo, entre outras irregularidades, algumas das quais imputadas ao vereador Sérgio Lipari Pinto, que reagiu requerendo a demissão da administração da empresa.

A oposição considerou, no entanto que, face aos factos apurados, Carmona Rodrigues, deveria retirar a tutela da Gebalis ao vereador social-democrata. Decidiu-se por isso marcar uma reunião extraordinária de Câmara para abordar especificamente a questão da Gebalis, e o PCP avançou com uma proposta de retirada da tutela ao vereador. Esta não chegou a ser discutida porque deixou de fazer sentido, já que foi agendada para a reunião em que foram apresentadas as renúncias dos vereadores do PSD e de toda a oposição. O assunto Gebalis é mais um ao qual o PSD não deu solução, e que fica adiado para depois das eleições intercalares.

 
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