Eleições na Madeira: uma luta desigual criar PDF versão para impressão
08-Mai-2007
roberto_almada.jpgO PSD, de Alberto João Jardim, obteve mais de 90 mil votos nas Eleições para a Assembleia Legislativa da Região Autónoma da Madeira. Esta vitória esmagadora deve fazer reflectir todos os que se opõem a este regime de três décadas para, pelo menos, tentar entender as causas de tão retumbante sucesso.
Após a sua demissão e consequente recandidatura o Presidente demissionário traçou uma agenda dupla para ser levada à risca pelo Alberto João, Presidente do Governo, e pelo Alberto João, Candidato do PSD.

Todos os dias, durante mais de dois meses, o Alberto João governante inaugurou centenas de obras públicas - pagas com os impostos de todos nós - e mais algumas dezenas de obras privadas em empreendimentos de empresários que comem à mesa do orçamento regional. Distribuiu apartamentos, inaugurou estradas, deu material de construção civil, prometeu mais uns milhões para os empresários amigos e assegurou ao povo que iria acabar com os muitos males sociais de que a região padece. Além das inaugurações o Alberto João, Candidato do PSD, produzia os seus discursos inflamados contra "os fascistas de Lisboa" e o "colonialismo continental", nos comícios diários onde o cantor pimba Tony Carreira juntava multidões.  

O PS, mesmo tendo 1 milhão e trezentos mil euros para "torrar" na Campanha Eleitoral, estava à partida arredado do tão almejado "assalto ao poder". Como se isso não bastasse, e após ter dado o pretexto a Jardim de se demitir invocando a nova Lei de Finanças Regionais, o partido de Jacinto Serrão passou toda a campanha a "dar tiros nos pés". Mesmo tendo votado a favor, na generalidade, da Lei das Incompatibilidades na AR, já prometia votar contra a mesma lei em votação final global. Prometeu, se ganhasse as eleições, criar 8 mil empregos na Região quando é sabido que idêntica promessa de Sócrates gerou mais desemprego. Prometeu, se ganhasse as eleições, obrigar Teixeira dos Santos a rever a Lei de Finanças Regionais - o que só aconteceria se o PS ganhasse as eleições. Depois de tanta asneira os sete deputados eleitos por este partido - o pior resultado de sempre dos socialistas madeirenses - são fruto de uma campanha repleta de erros grosseiros e quase infantis.

Num cenário tão difícil todos os partidos até agora representados no Parlamento madeirense perderam votos com excepção do PCP-PEV, que segurou o seu eleitorado.

O PS teve menos 16199 votos que em 2004 enquanto o CDS/PP perdeu 2163 votos. Apesar de não ter tido um bom resultado, o Bloco de Esquerda foi, destes partidos, o que menos votos perdeu (711), tendo conseguido segurar, no essencial, a sua base de apoio eleitoral.

Mais importante que isso, o Bloco conseguiu, nesta situação tão difícil, manter o seu Deputado o que, diga-se em abono da verdade, é de realçar tendo em conta os escassos meios humanos e financeiros de que dispunha e a concorrência desigual que travou com outras forças políticas. Refira-se que o MPT, que elegeu um Deputado, teve sempre a ajuda do PSD e o PND, que também elegeu um parlamentar, tinha atrás de si apoios provenientes de alguns "magnatas cá da terra".

Não foi uma vitória do Bloco de Esquerda. Queríamos e merecíamos mais. Mas não me falem em derrotas. Até porque um deputado num Parlamento com 47 Deputados é, proporcionalmente, quase tanto como 8 Deputados num Parlamento com 230.

Roberto Almada

 
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