O capitalismo selvagem do séc.XIX criar PDF versão para impressão
18-Mai-2007
uni_prof"Capitalismo selvagem do Séc.XIX". Foi com estas palavras que o Reitor da Universidade Independente, Rui Verde, definiu as condições de trabalho a que a sua universidade e as outras submetiam os professores. Mas a falta de pagamento de salários aos docentes da Universidade Independente nunca foi motivo de preocupações para o Ministro da Ciência e do Ensino Superior, que concluiu na altura não existir "degradação pedagógica" nesta instituição. O Esquerda.net reproduz um  recente comunicado da Direcção do SNESup (Sindicato Nacional do Ensino Superior), que merece uma leitura atenta.

 

Comunicado do SNESup:

"Em 2006 surgiu o primeiro problema sério na Uni comunicado ao ministério. Não estavam a ser lançadas notas de alunos por professores que se sentiam lesados por falta de pagamento de salários. Foi ultrapassado e resolvido. Após este episódio a análise da inspecção-geral concluiu que não havia degradação pedagógica"

Mariano Gago, em 9-4-2007


Ao que se depreende, ao Ministério e à sua inspecção-geral só interessam a degradação pedagógica, e as actuações que atingem os alunos.

Essa forma de degradação que consiste em não pagar os salários aos professores, pelos vistos, não é indício de degradação global das condições da instituição, não interessa ao Ministério e aos seus inspectores.
 
Se os professores recorrem à "forma de luta" do não lançamento de notas, então sim, aqui del-rei, o problema é mesmo sério.

Para governo do Senhor Ministro, informamo-lo de que nos tempos "aúreos" da Uni,  o SNESup ouviu o Dr. Rui Verde admitir com louvável franqueza  que as condições laborais do pessoal docente eram as do "capitalismo selvagem do Século XIX",  acompanhou a situação de um colega que se encontrava a dar aulas na Uni sem ter sido contratado  directamente  pela entidade proprietária - um curioso caso de subcontratação - e, mais recentemente, num processo executivo no interesse de um seu associado, ficou ciente de que já não existiam bens que garantissem os créditos  reclamados.
 
Se isto não é degradação, então o que é degradação?

Também para governo do Senhor Ministro,  informamo-lo de que o SNESup tem sido  contactado nos últimos anos por docentes, nem sempre associados, de outras duas universidades privadas, a propósito de incumprimentos laborais e designadamente de atraso de pagamento de remunerações.  Numa delas o não lançamento de notas como forma de obter  a  satisfação de créditos laborais  tem largas  tradições  mas não será  caso totalmente desesperado, uma vez que ainda recentemente conseguimos fazer penhorar alguns activos.

Será que quem acabou por arranjar coragem para fechar  uma "universidade" não consegue fechar duas ou três?

O Ministério adormeceu há muitos anos em relação ao controlo das condições em que funcionam de facto as instituições privadas, designadamente as laborais.  Como de resto o está a fazer em relação  às públicas, e como pretende continuar a fazer, pelo que se vê da Proposta de Lei da Avaliação.

Só que adiar até que caia de podre não é solução.


Saudações académicas e sindicais
A Direcção do SNESup

12-4-2007

 
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