Universidade da Esquerda Europeia criar PDF versão para impressão
08-Ago-2006

UMA NOVA ESQUERDA EM MOVIMENTO

A primeira Universidade da Esquerda Europeia foi feita por militantes e activistas de muitos partidos. Tão importante como o conteúdo das principais conferências foram os contributos de todas e de todos. Aqui damos a palavra a alguns dos participantes de vários países.   

Katalin Gennburg, PDS (Alemanha)

"Estamos a discutir as tarefas de um partido que actua a um nível diferente que o Estado-nação. Estamos a construir uma acção política para participar nas questões europeias e globais. Acho extraordinariamente importante as discussões sobre a necessidade de um real processo democrático e constitutivo de uma Europa social e a discussão que tivemos sobre as agendas concretas da Organização Mundial do Comércio (OMC) e as consequências a nível dos serviços públicos e da democracia da globalização capitalista. Apesar de vivermos num mundo global com tecnologias de comunicação muito avançadas, como a internet, continua a ser muito importante que possamos conversar cara a cara e elaborar, não só pensamento, uma agenda comum".

Elisabeth Gauthier, PCF (França)  

"É uma boa experiência que necessita de ser desenvolvida e aprofundada. É preciso reflectir em conjunto sobre as questões da Europa, sobre a estratégia dos movimentos e sobre o quadro político e económico de uma alternativa política à escala europeia. Esta iniciativa permite-nos apurar as formas de o fazer. Numa próxima realização talvez possamos melhorar ainda mais, envolvendo mais estruturas, como o Transform (rede europeia de revistas e centros de estudos marxistas), para que seja possível aprofundar esta iniciativa".

Francesco Samore, Refundação Comunista (Itália)

" A parte política desta Universidade é muito positiva e reflectiu de uma forma importante a necessidade de uma esquerda europeia com uma verdadeira inserção social nas lutas sociais, na capacidade de dizer que é possível haver uma Europa diferente do neoliberalismo e do capital, uma Europa que afirme a prioridade do social. A construção de uma nova agenda exige que pensemos nos vários percursos dos componentes desta nova esquerda no continente, mas também que consigamos responder positivamente com um conjunto de políticos que afirmem uma Europa de paz e que estabeleça um novo pacto social e de cidadania com toda a gente que vive e trabalha na Europa".

Júlia Bonk, PDS (Alemanha)

"Iniciámos um conjunto de debates. É preciso aprofundar as discussões, mais do que fazer trocas de opiniões e relatórios de países é preciso construir um pensamento comum e estratégias europeias comuns de luta. Na minha área de trabalho (a Educação) é um bom exemplo: é não só necessário pensar juntos, mas também agir em comum. É preciso discutir uma agenda e uma política alternativa que defenda o ensino de qualidade como um direito social e um serviço público relevante. Há questões urgentes a responder para construir essa agenda comum, por exemplo, somos favoráveis ao pleno emprego? Achamos possível manter na Europa esta reivindicação ou é necessário pensar em estratégias económicas alternativas que garantam os direitos sociais mas que não exijam o pleno emprego?" 

Yannis Bournous, Juventude do Synaspimos (Grécia)

"Esta Universidade é uma boa ideia. Não basta haver congressos para construir uma esquerda europeia. É preciso afirmar uma agenda comum de acção, mas também construir espaços de discussão. Só assim se pode elaborar um projecto permanente, primeira experiência. Estou convencido que é possível torná-la uma iniciativa regular, que se realize todos os anos, tornando-se maior e com capacidade para uma discussão política com uma maior profundidade e complexidade".

Peristera Baziana, Synaspismos (Grécia)

"A melhor coisa desta Universidade é a possibilidade de nos encontrarmos. Para construir uma força política nova é preciso que as pessoas se possam juntar. Há aqui muita coisa em discussão: desde a segurança social à situação no Médio Oriente. Esta Universidade vai-nos permitir dar passos, não só aprofundando o que sabemos, mas permitindo que possamos agir em comum de uma forma mais poderosa".

Fabio Amato, Refundação Comunista (Itália)

" É com este tipo de iniciativas que a esquerda europeia faz nascer as suas "pernas". Já havia encontros de direcções de partidos políticos, já se realizaram congressos da esquerda europeia, mas é visível que para construir este novo sujeito politico é necessário uma nova dimensão internacionalista da militância. E esta Universidade é um passo neste sentido. É uma ocasião para nos conhecermos e confrontarmos ideias para a construção de uma outra Europa. As redes que aqui se formaram devem contribuir para a construção capilar deste partido. Foi devido ao movimento dos movimentos dos fóruns sociais europeus  que foi criada a esquerda europeia, está é uma experiência nova. Nós, em Itália, estamos a tentar que esta realidade ultrapasse a própria Refundação Comunista, podendo aderir ao PEE associações e activistas independentes que não pertencem à Refundação. Penso que depois de iniciativas como esta, pode ser o tempo de discutir, no próximo congresso, novas formas de adesão a esta novo sujeito politico".

Oliver Muller, PDS (Alemanha)

" Penso que estamos a começar a desenhar uma nova esquerda. À sua maneira, o Partido da Esquerda alemão, o Bloco de Esquerda e esta Universidade são sinais desta nova realidade. É uma construção diferente porque se afirma num espaço que ultrapassa as fronteiras nacionais, pretendendo disputar politicamente o terreno da decisão a uma escala europeia, e é também uma nova forma de política devido ao relacionamento que tem com os novos movimentos sociais. É óbvio que ainda há muito para fazer, mas já estamos a dar os primeiros passos".

 
< Artigo anterior   Artigo seguinte >
Participe
© 2020 Esquerda.Net
Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.