Deslocalizações na Indústria criar PDF versão para impressão
08-Ago-2006

OPEL AZAMBUJA TRABALHADORES REJEITAM FECHO

Há muito que a possibilidade de deslocalização se colocara. A ameaça foi ganhando dimensão perante a crise atravessada pela GM, a nível mundial. Em Maio passado surgiu o alerta concreto: a GM Europa ameaçava mesmo encerrar a fábrica da Azambuja e deslocalizar a produção para Saragoça, no Estado espanhol. A 10 de Julho o vice-presidente da GM Europa para a área industrial anunciava o fecho da fábrica da Azambuja para o final do ano e a transferência da produção para Saragoça.

Os 1220 trabalhadores da Opel da Azambuja rejeitaram por unanimidade a decisão da direcção da empresa de encerrar a fábrica e deslocalizar para Saragoça. Paulo Vicente, da Comissão de Trabalhadores, disse à comunicação social que a GM assumiu o compromisso de não desenvolver qualquer medida relativamente à transferência para Saragoça até o Fórum dos Trabalhadores analisar o estudo que afirma que a produção do automóvel Combo custa mais 500 euros na Azambuja. O governo português, por seu lado, anunciou que irá pedir uma indemnização pelos incentivos fiscais concedidos à empresa, mas recusou-se a revelar o valor. A luta vai continuar.

A GM, com a atitude tomada, rompeu os compromissos que tinha assumido com o Estado português e com os trabalhadores, pelos quais se obrigava a produzir até 2008. O responsável da administração da GM justificou a transferência com os custos, nomeadamente logísticos, da produção na fábrica da Azambuja. Mas a verdade é que a Opel - Azambuja é a segunda unidade mais produtiva da empresa, o que leva a concluir que os mais elevados custos, se forem reais devem-se a erros de gestão e a problemas de logística. O anúncio de encerramento feito pela GM pode significar também uma recusa a encarar alternativas, pois os trabalhadores tinham apresentado propostas para diminuir os custos, nomeadamente a proposta de uma empresa alemã construir uma unidade de prensas na Azambuja e a proposta da AIP (Associação Industrial Portuguesa), para formar também na Azambuja, um cluster com um conjunto de fornecedores de componentes.

O vice-presidente da GM Europa considerou também que os requisitos do contrato de investimento com o Estado português estavam cumpridos, acrescentando no entanto que a GM "está disposta a tratar da questão com o Estado português". O governo anunciou depois que o Estado português deve ser indemnizado pela rotura do contrato pela GM. É o mínimo que se impõe, a GM recebeu 43 milhões de euros de incentivos, além de outros benefícios, e estava obrigada a produzir até 2008. Se o encerramento vier a concretizar-se a empresa deverá ser obrigada à devolução de todos os subsídios.

Aos trabalhadores a dívida também é grande porque a empresa fez um acordo pelo qual se comprometia a garantir a produção até 2008. Mas o mais importante é que os trabalhadores estão a recusar o fecho e vão continuar a lutar pelos seus direitos.

 
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