A incompetência do Ministério da Educação criar PDF versão para impressão
19-Jul-2006

alda_macedo.jpgEm 2004 foram lançados os novos programas para o ensino secundário.Três anos depois, a primeira geração de estudantes que cumpre este ciclo de estudos vê-se perante a prestação de exames.
Durante o decurso destes três anos, nunca, em nenhum momento, foi feita uma monitorização da validade das orientações programáticas que tinham sido implementadas.

No período que antecedeu a realização dos exames, não foram produzidas provas-modelo e, por isso, nunca os estudantes nem os seus professores tiveram a menor oportunidade de confrontar a implementação destes programas com a interpretação que os autores das provas fizeram dos mesmos.
Mais grave do que isso, as provas de exame não foram, elas mesmas, sujeitas a um processo de apreciação prévia que prevenisse a probabilidade de incorrecções.
O resultado disto é que os estudantes do 12º ano, a braços com um dos momentos de transição mais exigentes do seu percurso académico, se vêem arrastados num turbilhão de decisões mal pensadas e confrontados com a maior intranquilidade.

Este é o roteiro simplificado de um processo que não podia senão redundar no mais rotundo desastre e que demonstra a incompetência do Ministério da Educação. Como se não bastasse, o governo decide que os alunos podem repetir duas das provas, Química e Física. Não porque fossem as únicas a conter erros e incorrecções de formulação, mas porque as médias de classificação obtidas se situam muito abaixo das médias em anos anteriores.

A incompetência demonstrada antes do desastre só podia ser superada pela superficialidade do após desastre.
Há um mínimo de justiça e equidade que tem de ser exigida perante a prestação de provas de exame. Isso significa que tendo havido denúncias, provenientes de associações de professores, sobre erros, incorrecções e inadequações de natureza diversa, todas as provas tinham de ser avaliadas e todas aquelas que continham esses erros ou incorrecções têm necessariamente que ser repetidas.

Há também uma leitura a fazer dos resultados obtidos. Na realidade, os novos programas do ensino secundário procuraram responder à necessidade de começar a orientar os estudantes do ensino secundário para aquilo que são as coordenadas de Bolonha, com as quais se irão confrontar no ensino superior, nomeadamente no que diz respeito ao elenco de descritores de competências como chave de progressão da aprendizagem. Portanto, é preciso colocar a questão de saber até onde é que as provas de exame produzidas correspondem a uma necessidade de aferição à luz das novas exigências dos programas.

Camuflar os problemas suscitados pelos resultados é o que o despacho do Ministério da Educação tenta fazer, num acto de extraordinária superficialidade e indiferença pela ansiedade que todos os estudantes sentem num momento decisivo dos seus percursos futuros.

 
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