Perguntas do Povo, Certeiras e Surpreendentes criar PDF versão para impressão
05-Ago-2007

Indemnizações pela escravatura. Ateísmo. A definição de um liberal. O casamento do velho com o novo deu à luz algo raro no debate presidencial dos democratas na segunda-feira à noite: perguntas diversificadas e surpreendentes de um grupo diverso de entrevistadores.
Na primeira ronda de perguntas da noite - e possivelmente a primeira num debate presidencial a começar com "Tá-se?" - Zach Kempf de Provo, no Utah, prontamente perguntou aos candidatos: "O que é que os vai tornar mais eficazes, para além de todas as banalidades e coisas que estamos habituados a ouvir? Isto é, sejam honestos connosco. Como é que vocês vão ser qualquer coisa diferente?"
Artigo de José António Vargas, publicado no Washington Post a 24 de Julho de 2007

Minutos depois da CNN ter transmitido o seu vídeo, Kempf, um estudante de 27 anos na Universidade Young de Brigham disse: "Eu sempre pensei que os políticos vivessem num mundo à parte, onde o rodopio e os soundbytes governam, onde as mesmas questões e as mesmas preocupações são discutidas. Agora é a nossa vez." Por 'nossa', Kempf quis dizer os utilizadores do YouTuber.

Ninguém - nem a CNN, nem o YouTube, nem os espectadores em casa - sabia exactamente o que esperar deste debate.

Havia cépticos. Na capa desta semana do Charleston City Paper lê-se: 'Alguém nos salve da democracia YouTube.' Alguns autores de blogs irados defenderam que o formato do debate não era tão 'revolucionário' nem 'democrático' como a CNN, que patrocinou o debate com o YouTube, tinha apregoado incansavelmente na semana anterior. Pois os responsáveis pela política na CNN seleccionaram 39 perguntas entre as que tinham sido enviadas para o YouTube.

O utilizadores do YouTube, habituados a popularizar vídeos, classificando-os, foram deixados de fora do processo de selecção. Nem os candidatos estavam totalmente satisfeitos com o formato. O ex senador da Carolina do Norte John Edwards, por exemplo, prometeu que depois responderia às duas perguntas melhor classificadas no Community Counts, um site criado por David Colarusso, um professor de física do ensino secundário, que inicialmente considerou o formato 'frustante'.

No fim do debate, Colarusso mudou de discurso. 'Devo dizer, que foi um debate agradável, o que é uma surpresa para um debate', disse ele. "Penso que a CNN fez um bom trabalho ao escolher as perguntas que vieram da voz das minorias - não apena minorias étnicas, mas dos utilizadores do YouTube que têm pontos de vista minoritários".

E utilizadores do YouTube com senso de humor, teatrais - e com um pouco de excentricidade.

Uma boneco de neve e o seu filho de neve perguntaram: 'Tenho vindo a preocupar-me com o aquecimento global , o único e mais importante tema para os bonecos de neve deste país, está a ser negligenciado. Enquanto presidente, o que é que vão fazer para assegurar que o meu filho irá viver uma vida completa e feliz?'

Jered Townsend de Clio, no Michigan, exibindo o seu 'bébé' - uma arma - estava curioso em relação às opiniões dos candidatos relativamente ao controlo do armamento. (Sen Joseph R. Biden Jr. (Del.), altamente aplaudido, escarneceu: "Se aquilo é o seu bébé, ele precisa de ajuda."). Um vídeo particularmente irreverente sobre a fascinação dos media com a possível candidatura de Al Gore à presidência chegou de Jackie e Dunlap de Murfreesboro, Tennessee. O par perguntou, numa voz extremamente arrastada e num sotaque exagerado, "O que nós queremos saber é se isto magoa os vossos sentimentos?" Biden, que parecia estar com dificuldade em falar, replicou: "Penso que as pessoas do Tennessee acabaram de ser ofendidas."

No YouTube, o contexto é tudo, e alguns dos vídeos mais eficazes, disse Colarusso, tinham um sentido de lugar, de personalidade, de intimidade. Uma mulher na sua casa de banho, onde usa luzes eléctricas compactas e fluorescentes, preocupada com o consumo de energia. Uma mulher num campo de refugiados na região do Darfur, perto do Sudão pediu aos candidatos para se imaginarem pais de um refugiado.

Sam Feist, o director de política da CNN, que ajudou a peneirar os quase 3.000 vídeos, sugeriu aos republicanos, que terão o seu debate no YouTube em Setembro: "Lembrem-se de que são eleitores a fazer.

 
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