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03-Ago-2007

Pedro SoaresO acordo, ontem subscrito por José Sá Fernandes e pelos eleitos do PS na Câmara Municipal de Lisboa, colocou o presidente da associação de empreiteiros da construção próximo de um ataque de nervos.
Joaquim Fortunato, de seu nome, ficou indignado. Fez questão de lembrar que "nós estamos na cidade de Lisboa, não estamos em Havana". Segundo tão esclarecida visão, reservar uma quota nas novas construções e grandes operações de reabilitação para habitação a custos controlados só seria possível em Cuba...

Os argumentos de geopolítica barata são irrelevantes e falsos. Mas essa gente, que tem conseguido impor a especulação imobiliária como estratégia para o urbanismo em Lisboa e no país, percebeu, preocupada, que alguma coisa podia mudar. E com razão.

É certo que o PS ganhou as intercalares e que a sua história na Câmara e no Governo em nada abona a seu favor. Mas também é verdade que não alcançou na Câmara uma maioria absoluta, que lhe permita um comportamento à imagem do governo de Sócrates. Na realidade, a crise da Câmara é tão profunda que não lhe resta muita margem de manobra. Ou tenta outro rumo ou afunda-se nos mesmos males que levaram à queda da direita.

O facto novo é que a acção de Sá Fernandes e do Bloco conseguiu colocar no centro da política da Câmara exigências sociais, ambientais e de transparência na vida pública que o "centrão" alimentado pelo negocismo sempre quis manter fora de portas. Esta foi a primeira vitória. O acordo subscrito pela candidatura "Lisboa é Gente" reforçou a presença desta agenda na política da cidade, afirmou-a e tornou-a incontornável. Lamentavelmente, outras candidaturas preferiram desistir.

Ficaram garantidos programa político próprio e independência de atitude. É preciso praticá-los com grande intensidade. Trata-se de um importante ganho político para todos os que lutam por uma alternativa em Lisboa e no país.

Pedro Soares

 
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