2009 de sua Graça... criar PDF versão para impressão
07-Ago-2007

Miguel Portas"O acordo assinado na CML tem que ser lido como um primeiro passo para a entrada do BE na área governativa - o sonho há muito acalentado por Miguel Portas, Louçã e Fazenda", garante a Política Operária em texto que o Público divulga. Há muito, mais precisamente desde que o Bloco nasceu, que Francisco Martins Rodrigues prevê o "inevitável". E há oito anos que a previsão se engana. Agora insiste. E assim o continuará a fazer pelos anos vindouros. Sem novidade, portanto. Uma só dúvida assalta o meu espírito: a palavra "sonho". Se este é o que a presciente Política Operária descreve, porque haveríamos de andar a "perder tempo" no BE?...

O teste de 2009

Mas que o acordo continua a fazer correr alguns rios de tinta, é verdade. O ponto de partida do DN de hoje é o de que ele "pode ser teste para 2009″. Eva Cabral e Pedro Correia constroem uma peça que se diria assente no pressuposto de Francisco Martins Rodrigues. Como se faz a coisa?

1. Pergunta-se a António Chora sobre um possível "entendimento", se ao PS faltar a maioria absoluta em 2009. Este responde como o faria qualquer outro dirigente do BE. Diz que o BE concorrerá em listas próprias, "com programa autónomo". E que no Parlamento, procurará obrigar os socialistas a entendimentos "em matérias que considera fundamentais". Sempre assim tem sido, não há nesta declaração qualquer novidade. Mas os jornalistas acrescentam, de sua pena, que "com isso, talvez se possa repetir a nível nacional o que agora se registou em Lisboa". Uma extrapolação um pouco exagerada, não?

2. Em seguida, o artigo pede a José Manuel Pureza que comente o acordo de Lisboa e este mostra-se "optimista", considerando-o uma "estimulante novidade". É normal que uma força política valorize um acordo que assinou. Caso contrário, não o teria feito. Mas serve este parêntesis para os jornalistas chegarem a Miguel Vale de Almeida, que escreveu no seu blogue que "o destino natural do bloco é o PS". Os jornalistas têm o cuidado de referir que MVA não é actualmente militante do BE, e que o PS de que fala não é o que temos. Reforçam esta ideia com uma declaração minha, segundo a qual considero o PS português como "o mais neo-liberal de toda a Europa". Tanto bastaria para pôr as coisas em seu devido lugar, não é? Não, não é. Porque a conclusão que tiram é a de que um "entendimento pode voltar a acontecer se as circunstâncias pós-eleitorais determinarem uma aproximação".

É caso para dizer que se a minha avó ainda fosse viva e tivesse rodas, seria, em determinadas circunstâncias, uma bicicleta...

3. Os três últimos parágrafos da análise desfazem o cozimento inicial. Pureza é de novo citado, e explica que "este PS não merece o nosso acordo para uma plataforma política". Há evidências que nem exigiriam demonstração. Mas a mensagem que fica é a que se lê no título - exactamente a contrária. A bastante para colocar as Cassandras do lado de cá cantando alegremente...

Miguel Portas (texto publicado no blogue miguelportas.net/blog)

 
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