Massacres que lavam mais branco criar PDF versão para impressão
04-Ago-2006
nuno_ramosalmeida.jpgAfinal, nenhum civil palestiniano foi morto pelos israelitas e a culpa do bombardeamento de Qana foi do Hezbollah!
O poupado director de um jornal português, que costuma viajar à custa do Ministério dos Negócios Estrangeiros de Israel, revelou que o exército israelita avisa sempre por telefone os sítios que bombardeia. Está provado que a responsabilidade do sucedido recai sobre o Hezbollah que não pagou a conta do telefone e dizem fontes geralmente bem informadas que usa Skype.
No Público ficamos a saber que a emoção nos tolda o entendimento. É óbvio, quem considera inadmissível o massacre de crianças é porque esconde um terrorista dentro. A incansável Esther Mucznik explica-nos que a nossa “compaixão é um instrumento de ódio”.  A guerra é desigual, embora Israel tenha um armamento muito sofisticado, nenhum país “civilizado” poderá vencer o Hezbollah por causa da sua  arma secreta – “o desprezo pela vida humana”. Sábias palavras! Ficamos a perceber que as centenas de mortos civis em Gaza e os 800 mortos no Líbano, só neste último mês, significam o profundo respeito pela vida humana do Estado de Israel. Certamente que há dezenas de anos matam  palestinianos por amor, e o Supremo Tribunal de Justiça aprova o direito das autoridades torturarem suspeitos por caridade. No mesmo diário, o director confirma a cronista, dizendo que Israel está em desvantagem nesta guerra, porque os terroristas querem provocar as emoções e manipular a opinião pública. E apesar de estarmos num país em que a quase totalidade dos jornais, os seus donos e os comentadores são favoráveis a Israel, os pobres portugueses continuam a revolver-se quando vêem uma criança morta. Tenhamos esperança que, com tanto editorial esclarecido, alguém conseguirá separar a razão da emoção, tenhamos coragem de perceber que há massacres bons!  Basta ler as notícias do Público. Segundo o seu director, soube-se, antes da destruição do posto da ONU, que um dos militares das Nações Unidas tinha denunciado que a base estava a ser usada como escudo pelo Hezbollah. Como tal, justificavam-se os vários mísseis com que os militares da ONU foram mortos. É preciso dizer que essa conveniente notícia tem como base uma coluna de opinião de um ex-militar do Canadá: o bravo general conseguiu suspender a emoção e ler num e-mail de um militar da ONU que, devido à situação de guerra, não saíam da base e estavam a ser bombardeados por Israel. O óbvio: a culpa é do Hezbollah! Tirando o Público, um jornal israelita e o jornal do general, infelizmente nenhum órgão de comunicação social de referência pegou no assunto. É sabido que a BBC, a CNN, o Le Monde, o El Pais, o New York Times, o Washignton Post e até o insuspeito israelita Haaretz estão a soldo do Hezbollah . Outros colaboradores do terrorismo, cegos à evidência,  garantem que estes jornais costumam cometer o crime de confirmar primeiro os factos, tentam colocar o jornalismo acima da agenda política dos seus directores e nunca publicam na integra os e-mails da Mossad. Mas o mundo vai mal, até a mulher do militar da ONU morto é cúmplice do Hezbollah. Recusou acreditar na notícia do Público e teve o desplante de dizer que Israel procedeu mal em ter assassinado o seu marido e os outros observadores da ONU.
Infelizmente, por muito que José Manuel Fernandes e Esther Mucznik trabalhem para nos iluminar o espírito, para muitas pessoas o assassínio premeditado de civis, o ataque a ambulâncias, o bombardeamento de colunas humanitárias e a destruição de bases da ONU são crimes de guerra. Ora bolas, não podemos pedir aos israelitas que os libertem das emoções com uma salva de mísseis israelitas de fabrico norte-americano?
 
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