Betão Dourado? criar PDF versão para impressão
23-Ago-2007
rogerio_moreira.jpgMais de 24 horas depois da notícia divulgada eis que Marques Mendes vem afinal garantir que assume as "falhas" do PSD, passadas e presentes. Isto a propósito da confirmação pelo Tribunal Constitucional, de que uma empresa privada - no caso a construtora SOMAGUE - pagou ilegalmente 233 mil € de facturas da campanha autárquica do PSD em 2001. Mais lesto, o candidato Menezes já tinha na véspera vindo a terreiro defender o bom nome dos dirigentes e militantes implicados. Um e outro sabem bem do que estão a falar e por isso, cada qual à sua maneira, procuram menorizar os factos. O autarca de Gaia e o então autarca de Oeiras sabem que estão perante circunstancias inéditas: um Acórdão, que sucede a uma investigação aparentemente demorada e documentada, revelando que uma empresa de construção civil concreta, pagou avultados e concretos montantes de uma campanha (autárquica) concreta de um concreto partido por sugestão de dirigentes concretos. E que - mais do que as coimas e devoluções de dinheiro que aí vêm - isso provoca estragos nos financiamentos futuros, mais ou menos transparentes.

Curiosamente também, o PS vem dizer que tudo agora é diferente, que com a nova Lei (em vigor desde 2005) já não será assim, mesmo quando continua por explicar quem afinal, no Brasil, terá pago a campanha socialista junto dos emigrantes em 2005.

Se não surpreende que Pacheco Pereira, no seu weblog, se descarte de aplicar aqui os seus "concretos, duros e sem rodriguinhos" comentários sobre as contas partidárias pois, nesta trivialidade, mais não vê do que uma "notícia contra o PSD e Marques Mendes sempre que o PS está em dificuldades" já é de registar a sintonia do editorialista do DN (22/8) que aproveita para dizer que, afinal, o problema está na Lei que impede as empresas de financiar os Partidos.

Apressadamente, para deitar água na fervura, afirma em abono da sua tese que os financiamentos estão limitados às subvenções do Estado. Errado. Nem em 2001 nem agora é assim. São as próprias contas então apresentadas pelo PSD que o demonstram: numa campanha em que declarou ter gasto 3,6 milhões de euros grande parte (cerca de 2,9 milhões) terão sido financiados por particulares através de donativos e angariações de fundos, bem mais que o apoio estatal que recebeu.

A garantia de verdade e transparência nas contas não está nem no financiamento empresarial legal - na busca de contrapartidas ilegais? - nem na multiplicação de regulamentos miudinhos para caçar multas aos Partidos por irregularidades formais. Uma inspecção das Finanças junto do "peixe graúdo" pode ter sido um bom começo.

Rogério Moreira 


 
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