Greenpeace lança estratégias para combater as alterações climáticas criar PDF versão para impressão
20-Set-2007
Energia eólicaA energia renovável, combinada a medidas de eficiência energética, pode suprir metade da demanda global de energia até 2050, segundo novo relatório lançado pelo Greenpeace. O estudo "Revolução Energética: perspectivas para uma energia global sustentável" propõe um guia prático de medidas para cortar pela metade as emissões de CO2 até 2050, mantendo a segurança da oferta e um crescimento económico mundial estável.

Publicado a 25/01/2007, no site Carbono Brasil
Sven Teske, orador da Conferência internacional, foi um dos responsáveis pela elaboração do plano da Greenpeace.


 

O relatório foi encomendado pelo Greenpeace e pela Comissão Europeia de Energia Renovável (EREC) ao Centro Aeroespacial da Alemanha (DLR), um dos mais conceituados institutos de pesquisa na área de cenários energéticos e contou com a contribuição de 11 institutos internacionais de investigação.

Resultado de uma série de modelagens por computador, o relatório apresenta diferentes cenários futuros para a geração e distribuição de energia até 2050, com base em avaliações por região e por tipo de energia. O panorama abrangido pelo relatório vai de uma manutenção do actual modelo centrado em combustíveis fósseis a uma revolução energética completa, com presença marcante de energias renováveis e eficiência energética.

Os cenários também consideram tendências sócio-económicas como crescimento populacional estimado e crescimento económico acentuado de regiões como a China, África e Índia. Além dos benefícios ambientais, o Cenário de Revolução Energética demonstra a enorme vantagem económica em se migrar para um modelo de energias renováveis, geração descentralizada e uso eficiente de energia.

"O Cenário de Revolução Energética é o caminho para suprir a crescente demanda energética sem agravar o problema do aquecimento global" afirmou Sven Teske, especialista em energia do Greenpeace. "Os dados mostram que é factível adotar uma matriz energética renovável e segura e obter índices de eficiência energética necessários sem estancar o crescimento económico global. Além disso, o modelo prevê a eliminação gradual das fontes perigosas e poluidoras de energia, como o carvão, óleo diesel e a energia nuclear", conclui.

O relatório mostra que as renováveis serão economicamente competitivas desde que eliminados os subsídios hoje direcionados aos combustíveis fósseis e à energia nuclear. Sugere ainda que seja adoptado o princípio do poluidor-pagador para quem prejudica o meio ambiente para produzir energia. "Apelamos aos governos para que eliminem este tipo de subsídios até 2010", afirmou Teske.

Segundo o estudo, o tempo disponível para esta transição energética é bem curto: decisões políticas e investimentos de governos, instituições financeiras e empresas serão necessários para transformar o parque energético mundial em tempo hábil. Na próxima década, muitas das usinas de eletricidade localizadas em países desenvolvidos deverão ser substituídas. Além disso, países em desenvolvimento como a China, Índia e Brasil terão que criar rapidamente uma nova infra-estrutura para suprir sua crescente demanda por energia.

Segundo Arthouros Zervos, presidente da Comissão Europeia de Energia Renovável, "o mercado global de energia renovável pode crescer a uma taxa de dois dígitos até 2050, atingindo o volume da indústria de combustíveis fósseis. Com mercados de energia solar e eólica movimentando 38 mil milhões de dólares e dobrando de tamanho a cada três anos, o crescimento do sector de renováveis terá o mesmo ritmo da Internet e dos celulares", afirmou. (...)

Principais conclusões do Cenário Revolução Energética Global

Os dados dos cenários da oferta energética seguiram as projecções da Agência Internacional de Energia e foram calculados com base na metodologia de simulação MESAP/PlaNet.

O estudo prevê um ambicioso caminho de desenvolvimento global para a exploração do potencial de eficiência energética, focado nas melhores práticas actuais assim como nas tecnologias que estarão disponíveis no futuro. O resultado obtido mostra que, sob o Cenário de Revolução Energética, a demanda mundial de energia pode ser reduzida em até 47% em 2050.

A demanda de energia primária hoje é de 40.090 GW. Mantidas as tendências actuais como projetado no Cenário de Referência, em 2050 haverá um aumento da demanda para 74.650 GW e os custos de eletricidade devem quadruplicar. A exploração do grande potencial de eficiência energética permitirá uma economia de 36.860 GW até 2050 e uma redução da demanda de energia primária para 37.790 GW.

Para se ter uma idéia, a usina hidrelétrica de Itaipu tem uma capacidade de 12,6 GW. Portanto, a demanda projetada para 2050 no Cenário de Referência equivale a quase 6 mil usinas como Itaipu. Em 2050, pelo Cenário de Revolução Energética a demanda projetada seria de 3 mil usinas, ou seja, uma redução de 50%.

O sector da eletricidade será o pioneiro na utilização em larga escala de energia renovável. Em 2050, cerca de 70% da eletricidade será produzida a partir de fontes renováveis. Uma capacidade instalada de 7.100 GW produzirá 21.400 Terawatt hora por ano (TWh/a) de eletricidade em 2050.

No sector de aquecimento, a contribuição das renováveis pode chegar a 65% até 2050. Os combustíveis fósseis serão substituídos por tecnologias mais modernas, particularmente biomassa, colectores solares e geotérmicos.

No sector dos transportes, o potencial de eficiência energética deverá ser explorado antes da adoção em larga escala dos biocombustíveis. Neste estudo, a biomassa é alocada primariamente para fontes estacionárias (usinas de geração). O uso de biocombustíveis para o transporte deve ser limitado à disponibilidade da oferta de recursos obtidos de forma sustentável.

O uso crescente de sistemas combinados de aquecimento e eletricidade para geração de energia (CHP) vão melhorar a eficiência das taxas de conversão.

América Latina: Hoje, as energias renováveis respondem a 27% da demanda de energia primária da América Latina - cerca de 70% ainda provém de combustíveis fósseis. A biomassa, usada principalmente no sector de aquecimento, é a principal fonte renovável contribuindo com 10% do fornecimento de energia primária; em segundo lugar aparece a energia hidro-elétrica. A parcela de geração de eletricidade por renováveis já está em 70% e as usinas hidro-elétricas são a principal fonte. A contribuição de renováveis para atender à demanda de energia primária de aquecimento é de cerca de 36%.

(...)

Fonte: Greenpeace

 
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