No Golfo não há silly season criar PDF versão para impressão
11-Set-2007
Rui BorgesVai saber-se hoje os "progressos" obtidos pelo aumento do número de tropas americanas no Iraque. O anúncio dos resultados foi estrategicamente escolhido para hoje, 11 de Setembro, um data em que os fracassos da ocupação serão atenuados pela memória das vítimas dos atentados. Há já algumas semanas que circulam notícias na imprensa americana afirmando que o relatório apresentado pelo general Petraeus foi afinal escrito pelos altos funcionários (artigo do Los Angeles Times ) da Casa Branca e que o general se limitará a assinar. Não é para menos. A incapacidade do exército americano para controlar a situação é óbvia aos olhos de qualquer observador. A única coisa que a Casa Branca quer é um relatório que permita prolongar uma guerra que a América não pode vencer. Uma das conclusões já conhecidas é a de que o número de tropas vai ser certamente reduzido, mas só daqui a uns meses e dependendo da situação no terreno.

A somar aos problemas de Bush junta-se agora a retirada das forças britânicas de Bassorá, a maior cidade do sul xiita. Apresentada por Gordon Brown como uma transferência de poderes programada, não passou de uma comum derrota militar (artigo do jornal Guardian), após meses de cerco e de crescente perda do controlo da situação pelo exército britânico. O sul do Iraque é um fervilhante centro de oposição à ocupação e forte aliado do Irão. O sentimento na cidade já tinha sido descrito o ano passado por um funcionário do Pentágono: apesar da presença Britânica, o Irão conseguiria conquistar Bassorá "com dez mullahs e um carro de som".

Mas se tudo parece correr mal com a ocupação militar qual poderá ser a solução? Para Bush a melhor saída parece ser atacar o Irão. Pode parecer um contra-senso mas com a guerra do Iraque perdida e o mandato presidencial a aproximar-se do fim, os neoconservadores sabem que o tempo escasseia para garantir o seu projecto de domínio sobre o petróleo do Médio Oriente. Por isso estão dispostos a bombardear rapidamente qualquer obstáculo. O ataque já é discutido há alguns anos e está agora a entrar na fase da propaganda para convencer a opinião pública. A anunciada inclusão dos Guardas da Revolução (um dos ramos das forças armadas iranianas) na lista de organizações terroristas e a crescente retórica anti-iraniana são apenas um sinal do que está para vir. Nos próximos meses as revelações dramáticas sobre o papel do Irão na morte de soldados americanos ou sobre o iminente ataque nuclear ao ocidente vão ocupar os jornais e televisões de todo o mundo. A máquina da mentira está em marcha. Para a travar teremos a memória da farsa informativa que precedeu a invasão do Iraque em 2003 e a possibilidade de mobilização de todos os que hoje podem ver tão claramente as suas consequências.

Rui Borges

 
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