Libertem a Birmânia criar PDF versão para impressão
14-Out-2007
Manifestação de activistas birmaneses na embaixada de BangkokA Birmânia (Myanmar) é um país do sudeste asiático de que pouco se fala. Faz fronteira com a o Bangladesh,a Índia, a China,o Laos, a Tailândia, e o Oceano Índico. Tem 676 552 Km2 ( uma superfície ligeiramente superior à de Portugal, Espanha e Irlanda, juntos) e 45 106 000 Habitantes (67 Hs./km.2). Os seus habitantes são maioritariamente birmaneses (69%), aparentados com tibetanos e, mais vagamente, com chineses. Alguns outros povos habitam em 7 Regiões Autónomas (Chin, Kachin, Kayah, Kayin, Mon, Rakhine, e Shan), onde os seus direitos têm vindo a ser violados, pelo que tem havido, e se mantêm, revoltas em várias das mesmas.

Texto de opinião do nosso leitor Carlos Luna, elaborado para o Clube dos Direitos Humanos da Escola Sec. Raínha Santa Isabel, de Extremoz.
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A capital, tradicionalmente, era Rangoon, agora chamada Yangon: Todavia, em 2006, o governo mudou a capital para uma cidade nova, a cerca de 400 quilómetros para o interior, chamada Nay Pyi Taw (ou Daw). A cultura é inspirada na civilização indiana, e a religião dominante é a Budista.

A Grã-Bretanha dominou o País no século XIX, e integrou-o no seu "Império das Índias", até que, pouco antes da Segunda Guerra Mundial (1937), a considerou colónia separada. O Japão ocupou o território entre 1942 e 1945. Em 1948, a Birmânia tornou-se independente, tendo sido governada por regimes mais ou menos democráticos, com breves interrupções, até à década de 1970, quando uma Junta Militar tomou o poder. Essa mesma junta tem vindo a governar ditatorialmente o País, embora se tenham sucedido vários Chefes de Estado. O seu ideal é vago. Fala-se num "Socialismo Birmanês", que ninguém sabe explicar muito bem o que é. De socialismo nada parece ter, e de democracia também não.

Em 1988, ocorreram violentas revoltas populares, esmagadas sem piedade. Os protestos internacionais, infelizmente não muito convincentes, fizeram-se ouvir. Em 1990, realizaram-se, mesmo assim, eleições livres, em que a oposição à Junta Militar, chefiada pela futura Prémio Nobel da Paz (1991) Aung San Suu Kyi, recebeu cerca de 90% dos votos. A vencedora não chegou a ser chamada a formar governo, pois a Junta declarou nulos os resultados da eleição, e voltou a governar ditatorialmente. Aung San Suu Kyi foi colocada em prisão domiciliária, onde permanece até hoje. Toda a oposição foi e é reprimida com brutalidade, o que inclui massacres, "desaparecimentos", torturas, "eliminações", sempre em nome de uma ideologia de que ninguém entende os contornos.

Em 1989, a Junta decidiu mudar o nome do País de Birmânia, ou Burma, para Myanmar, expressão que contém em si o conceito de Comunidade. A nova capital, já referida, foi construída de raiz, e é um conjunto gigantesco, com edifícios enormes e dispendiosos, para onde estão a ser conduzidos, muitas vezes à força, milhões de birmaneses (já se conta mais de um milhão).

O País, outrora um dos mais ricos da região, tem vindo a empobrecer a olhos vistos. Florescem vários tráficos ilegais, parecendo que alguns deles estarão a ser exercidos por membros da Junta Militar no poder. O calvário do Povo birmanês é cada vez menos suportável. Vimos na Televisão, nos últimos dias, grupos de populares, apoiados pelo Clero Budista, sair à rua e defrontar as forças repressivas. Todavia, não parece terem saído vencedores. A Junta, tudo o indica, retomou o controle da situação.

Internacionalmente, apesar das críticas, hipocritamente menos sonoras do que em vários outros casos paralelos, subsistem reservas por parte de alguns países, com interesses económicos na região, e até com ligações económicas aos tiranos da Junta.

Num mundo cada vez mais globalizado, e onde se procura que os Direitos Humanos sejam cada vez mais respeitados, o apoio internacional à luta do Povo Birmanês pela Liberdade é indispensável. Não nos calemos. Em toda a Terra, tem de predominar a dignidade humana.

 
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