Bela Vista - 12, IPO - 4 criar PDF versão para impressão
11-Out-2007
Bernardino ArandaO Instituto Português de Oncologia (IPO) necessita urgentemente de mudar de instalações. Esta é uma verdade incontornável, reconhecida por todos os profissionais do Instituto e que passa pelo próprio modelo multi-pavilhões que se revela obsoleto quanto às exigências modernas da oncologia.

A proposta de mudança de instalações do IPO é um projecto antigo do Instituto (data de 95-97) e torna-se cada vez mais urgente, à medida que o nosso país perde, a olhos vistos, a corrida da prevenção e dos rastreios e revela estatísticas preocupantes quanto ao cancro.

O Governo, pelo menos em retórica, pareceu acordar para essa evidência e logo Isaltino de Morais, aproveitando o silêncio de Carmona, na altura Presidente da CML, apareceu a doar todos os terrenos necessários e mais alguns para conseguir ter o IPO em Oeiras. Uma espécie de "troféu de caça" para "o seu" concelho, que pudesse exibir em futuras campanhas eleitorais.

O problema é que Isaltino dá os terrenos, mas não dá os meios de transporte para os doentes e as suas famílias de todo o país se deslocarem a este hipotético IPO de Oeiras. Muitos terão a infelicidade de conhecer bem como se chega ao IPO, onde ficar a pernoitar quando se acompanham doentes, etc. Sabem bem, que a questão da centralidade de um equipamento destes, é absolutamente essencial.

Neste contexto, a proposta que a Câmara de Lisboa apresenta ao Governo e que é elaborada em estreita articulação com José Sá Fernandes, é uma localização bem servida de transportes públicos, que se articula com o futuro Hospital de Todos os Santos e que, a ir para a frente, significará a primeira requalificação do Serviço Nacional de Saúde nos últimos anos, em total contra-ciclo com o que tem sido o desinvestimento do Estado na Saúde.

É também uma localização que articula o parque hospitalar com uma grande estrutura ecológica - o Parque da Bela Vista - ao mesmo tempo que se criam uma série de novos percursos e ligações para as Olaias, para o Areeiro e para a Alameda Afonso Henriques, que serão ligações do Parque à cidade e às pessoas.

O IPO, no desenho proposto, será contíguo ao Parque, ocupando uma pequena área deste, que será, no máximo, de 4 hectares. Mas, ao mesmo tempo, os limites do próprio Parque serão realinhados, havendo, aproximadamente, uma integração de 12 hectares novos.

Contudo, apareceram agora, vozes muito preocupadas com a cedência de áreas do Parque para o IPO, que insistem em não referir que o Parque vai aumentar a sua área... Pena é que estas vozes não se tivessem ouvido quando da cedência gratuita do Parque para eventos como o Rock in Rio, autênticas máquinas de fazer dinheiro para os privados envolvidos, que tanta despesa deram à CML (muito mais do que as tais contribuições que o evento terá dado às instituições de solidariedade social), e que profundos danos causaram ao Parque.

Bernardino Aranda

 
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