As derrotas de Rui Rio criar PDF versão para impressão
10-Out-2007
João Teixeira Lopes... depois de ter oferecido de mão beijada o usufruto do Rivoli a um empresário do espectáculo, (...) sem que aquela tenha até ao momento recebido um só cêntimo, apesar do apregoado «estrondoso êxito de bilheteira», a razão e a lei começam finalmente a travar a deriva autocrata de Rui Rio

Depois de perseguir, por vezes pessoalmente, jornalistas, intelectuais e trabalhadores das artes e da cultura; depois de ter expulso ciganos do terreno onde viviam há décadas, para fazer o favor ao grupo económico que detém a Pousada do Freixo; depois de ter maltratado, com polícia de choque e cães raivosos (ou polícias raivosos e cães de choque...), a população de bairros sociais; depois de ter ordenado à Polícia Municipal que prendesse arrumadores e os interrogasse de forma brutal; depois de ter oferecido de mão beijada o usufruto do Rivoli a um empresário do espectáculo, em clara situação de benesse, dado o suporte financeiro da Câmara à manutenção do Teatro e sem que aquela tenha até ao momento recebido um só cêntimo, apesar do apregoado «estrondoso êxito de bilheteira», a razão e a lei começam finalmente a travar a deriva autocrata de Rui Rio.

Após o Tribunal Administrativo e Fiscal do Porto ter dado provimento à providência cautelar da Plateia, confirmando a ilegalidade da «doação» do Rivoli a La Feria, sem concurso público, chegou a vez do Tribunal de Instrução Criminal arquivar a queixa contra os ocupantes do Rivoli, dado que, em julgamento, a queixa, por carecer de fundamentação, seria certamente considerada improcedente. Na verdade, os ocupantes exerceram o seu direito cidadão à indignação pacífica contra a prepotência e o arbítrio. Prevaleceram, pois, os critérios mais amplos de legitimidade da acção política numa democracia viva.

Rui Rio, é sabido, tem amigos poderosos na Presidência da República, no PSD e mesmo no PS. Pacheco Pereira gostaria de o ver como Primeiro-Ministro e, geralmente, ao falar do seu amigo, consegue raiar com facilidade o nojo da desonestidade intelectual. A impunidade, contudo, tem limites e o Estado de Direito deve prevalecer. O Porto vive uma situação de asfixia democrática sem paralelo desde o 25 de Abril. Os Tribunais demonstraram uma vez mais a sua razão. Em 2009 será o povo a demonstrar a sua.

João Teixeira Lopes

 
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