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25-Out-2007
Bernardino ArandaDepois de se ter atingido a fantástica meta de 22.500 espectadores o ano passado, o DOC, alargou este ano a sua programação para as salas do cinema Londres e para o cinema São Jorge - um cinema municipal - continuando, ainda assim, a esgotar sessão atrás de sessão.
Decorre até Domingo o DOCLISBOA, um dos maiores acontecimentos político-culturais da cidade.

Político? Sim. Não por ser a edição de 2007, em que Sérgio Tréfaut volta a reintegrar a direcção de programação do Festival, mas sim por ser um Festival de cinema documental, logo, um cinema sobre o real, logo um cinema político.

Se este ano o epíteto de "político" salta mais à vista, é porque aparecem neste Festival muitos filmes americanos da actualidade. Filmes que nos falam sobre a tortura de prisioneiros sob custódia do exército dos EUA; sobre a miséria de Nova Orleães após a passagem do furacão Katrina; sobre o sistema de saúde norte-americano que só funciona para quem pode pagar bem...

Estamos todos demasiado familiarizados com as ideias políticas hegemónicas: os bons soldados combatem os maus terroristas; é extraordinária a riqueza e a qualidade de vida do povo americano; o sistema de saúde poderia ser muito melhor se não fosse público. É por isso que, quando somos confrontados com uma realidade contraditória, estranhamos e dizemos logo "que politizado que está este Festival" sem nos apercebermos que afinal "a política" está por toda a parte.

Mas a que se deve o enorme sucesso do DOCLISBOA em termos de afluência de público?

Depois de se ter atingido a fantástica meta de 22.500 espectadores o ano passado, o DOC, alargou este ano a sua programação para as salas do cinema Londres e para o cinema São Jorge - um cinema municipal - continuando, ainda assim, a esgotar sessão atrás de sessão.

A verdade é que o "circuito comercial", o que "oferece aquilo que o público quer ver", não oferece afinal tudo.

PS1: Ainda podemos ver hoje, dia 25, Arquitectura de Peso de Edgar Pêra e Lisboa Dentro, um documentário sobre os milhares de prédios degradados em Lisboa. Amanhã, Sexta, Surplus, um filme sueco sobre a sociedade de consumo contemporânea. Sábado, talvez ainda haja bilhetes para My Country, my country, um documentário sobre o Iraque de hoje e, por conseguinte, sobre a política externa dos EUA.

PS2: Belíssimo filme, o do Bruno Correia. Obviamente, muito bem posicionado para arrecadar um prémio neste Sábado.

Bernardino Aranda

 
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