Portugal na rota de recrutamento das empresas militares privadas criar PDF versão para impressão
10-Nov-2007
Anúncio da Blackwater nos Estados UnidosPortugal entrou já no "circuito de recrutamento das empresas militares privadas", noticiou a revista Visão de 2 de Agosto de 2007, num artigo assinado por Francisco Galope.
Nesse artigo dá-se a conhecer que uma empresa, a Academia Nacional de Segurança Privada (ANSP), se estava a preparar para fazer segurança a empresários norte-americanos e nigerianos na Zona Verde de Bagdade.

Salientava o artigo que a concretizar-se esta proposta de segurança no Iraque, feita através da pouco conhecida empresa norte-americana First Response, a equipa da ANSP teria de se deslocar aos EUA para treinos em Setembro. "Desta feita com fogo real e com as armas que as empresas de segurança e militares privadas estão autorizadas a usar no Iraque, as pistolas Glock 19 e a pistola-metralhadora MP5. O desafio Iraque durará quatro meses, com um salário de 10 mil euros por mês."

Esta hipótese de portugueses partirem para o Iraque ao serviço de empresas privadas de segurança, sub-contratadas por empresas norte-americanas, não é caso único. A conhecida Blackwater já terá tentado subcontratações semelhantes com a ANSP e também com a Milícia, uma outra empesa portuguesa do Norte do país. No entanto, os contratos com a Blackwater não se concretizaram, devido aos montantes que esta empresa queria pagar, bastante inferiores aos que anuncia para os EUA. Enquanto a Blackwater anuncia 450 a 650 dólares por dia a cada contratado, às potenciais subcontratadas portuguesas não queria dispender mais do que 100 dólares por dia.

Segundo o referido artigo, o gerente da Milícia, estimava que um militar português em missão no estrangeiro receberá cerca de 3500 euros mensais, pelo que segundo ele o mínimo compensatório para os contratados pelas empresas privadas deveria ser de, pelo menos, 4 mil euros para os "básicos" e 7 mil para especialistas. A Milícia teria capacidade para fornecer um contingente de 200 contratados por seis meses, seguido de outros 200 também por seis meses.

O artigo da Visão dá também conta de relatos de recrutamentos feitos em Portugal directamente por empresas britânicas e norte-americana. A Associação Nacional de Contratados do Exército alertou, entretanto, que "sem apoio à reintegração social, os militares que terminam os contratos se tornam alvos fáceis para as empresas de recrutamento de mercenários".

 
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