Como vencer a "epidemia oculta"? criar PDF versão para impressão
23-Nov-2007
luis_branco.jpgO relatório agora divulgado pelo Observatório Europeu da Droga e Toxicodependência aponta para "200 mil europeus infectados pelo HIV que consomem ou consumiram droga injectada", a que se juntam cerca de um milhão de infectados com o vírus de hepatite C, a "epidemia oculta" na Europa, diz o relatório.

É sobre a hepatite C que o Observatório lança o alerta: "Em toda a Europa, os índices de hepatite C são elevados entre as populações de consumidores de droga injectável (CDI) e os estudos mostram que os jovens CDI continuam a contrair esta doença no início do seu consumo, o que limita as oportunidades de intervenção".

As estimativas prudentes calculam em cerca de 1,3 milhões de CDI na União Europeia e Noruega. E são os opiáceos, como a heroína, que levam a maior parte dos consumidores a procurar tratamento. O tratamento de substituição aumentou sete vezes desde 1993 e é a metadona a mais utilizada, administrada em regime ambulatório. Outras experiências inovadoras, como é o caso da prescrição médica de heroína, avançam na Holanda e no Reino Unido, reservada a casos especialmente difíceis, onde as restantes opções não tiveram sucesso. Vários estudos citados no relatório, a partir de experiências em Espanha e na Alemanha destacam o efeito positivo desta solução para consumidores socialmente excluídos.

Em Portugal, o número de infecções por HIV junto da população que consome drogas injectáveis continua no top europeu, com 85 novos casos por milhão, contra apenas cinco na maioria dos países da UE. São números que mostram a necessidade de se apostar mais na redução de danos em Portugal, uma estratégia que enfrentou com sucesso a demagogia dos ideólogos do proibicionismo, os mesmos que em Portugal conseguiram durante anos atrasar a troca de seringas em meio prisional, e ainda impedem a instalação de locais de consumo assistido.

Curiosamente, foram esses ideólogos do proibicionismo que mais aplaudiram a resolução do organismo da ONU de 1998, que definia como objectivo e título da estratégia: "2008: um mundo sem drogas", apoiada na estratégia norte-americana da perseguição a consumidores e na diabolização das substâncias ilegais. Já só faltam uns meses para vermos com que cara é que eles irão avaliar o "sucesso" da sua estratégia.

Luís Branco

 
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