Referendo: os blocos do “sim” e do “não” criar PDF versão para impressão
01-Dez-2007
Campanhas do No processo político formaram-se basicamente dois grandes blocos políticos, um pelo "sim" e o outro pelo "não". Pelo "sim" estão os apoiantes do presidente, pelo "não" estão os apoiantes da candidatura presidencial, derrotada em Dezembro passado, do governador de Zulia Manuel Rosales. O partido "Podemos" e alguns anteriores apoiantes de Chávez, como o antigo ministro da Defesa general Baduel, estão agora pelo "não" no referendo.

A campanha pelo "sim" foi conduzida por Hugo Chávez e os seus apoiantes: o seu partido (o Partido Socialista Unificado da Venezuela), o Partido Comunista da Venezuela e o partido Pátria Para Todos (PPT).

A campanha do "não" englobou os apoiantes de Manuel Rosales, nomeadamente o partido "Un Nuevo Tiempo" (fundado em 1999 como movimento regional do Estado de Zulia, que junta liberais e social-democratas e tem relações estreitas com a administração norte-americana), o partido "Primero Justicia" (um partido de centro constituído recentemente, depois de 2000), o partido COPEI (democrata cristão e que foi um dos grandes partidos de direita da Venezuela, ao longo do século XX).

Na campanha do "não" integrou-se também o partido "Podemos - Por la Democracia Social", que fazia parte da maioria presidencial e que nas presidenciais de Dezembro de 2006 obteve 5% da votação para Chávez. O "Podemos" tinha 18 deputados e diversos cargos em órgãos do Estado. Porém, como recusou dissolver-se e integrar o PSUV, como pretendia Chávez, metade da sua bancada parlamentar e diversos eleitos abandonaram o partido e juntaram-se ao PSUV.

Além do "Podemos", outros antigos apoiantes de Chávez pronunciaram-se pelo "não", o mais significativo dos quais é o general Baduel, ministro da Defesa até Junho passado.

Fora das campanhas do "sim" e do "não", um sector de opositores a Chávez apelou ao boicote ao referendo, no entanto este sector é hoje muito minoritário na oposição ao presidente.

Outros pequenos movimentos pronunciaram-se pelo "não", com base em argumentos de esquerda. Foi essa a posição assumida por dois antigos guerrilheiros: Douglas Bravo e Francisco Prada. Francisco Prada do "Movimiento Tercer Camino" afirmou em entrevista que este movimento recusa a reforma porque "esta garante a entrega do país e porque, além disso, cria um ordenamento jurídico dirigido a forçar a paz mediante a repressão".

O referendo divide os artigos a alterar em dois blocos, basicamente segundo a proposta feita por Hugo Chávez. Os eleitores votarão se "Sim" ou "Não" aprovam a mudança, em cada um dos blocos de artigos. O presidente Hugo Chávez propôs que a votação fosse feita em dois ou mesmo três blocos de artigos, sendo o primeiro constituído pelas propostas feitas por ele. A Assembleia acabou por decidir a divisão dos artigos a votar no referendo em dois blocos, o A e o B. No bloco A estão todos os artigos cuja proposta de mudança partiu de Chávez.

 
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