Um apelo de Gaza: acabem o cerco! criar PDF versão para impressão
12-Jan-2008
Eyad Sarraj fala na reunião com pacifistas israelitas. Ao seu lado, Uri Avnery. Foto de Gush ShalomUm chocante relatório em primeira-mão acerca das condições de vida na Faixa de Gaza foi apresentado no dia 13 de Dezembro a um grupo de activistas pela paz israelitas. Eles reuniram-se na sede da organização Gush Shalom em Telavive para ouvir o testemunho do Dr. Eyad Sarraj, uma dos poucas pessoas que ainda consegue sair da "maior prisão da terra".

 

O Dr. Sarraj, conhecido psiquiatra e activista pelos direitos humanos, vive na Faixa. Veio a Telavive para discutir com activistas pela paz de Israel a organização de protestos e acções pessoa-a-pessoa. O que se segue é o relato dele.

A água local é imbebível. Israel não deixa entrar água engarrafada. Assim como não permite a importação de bombas de água. O preço dos filtros de água subiu de 150 NIS para 1000 NIS, não há peças de reposição para todos os filtros. Só pessoas de posses podem ainda pagar por eles. Contudo, deixam entrar cloro.

Israel impede todas as importações para a Faixa, excepto uma pequena lista de cerca de uma dúzia de produtos básicos. Antes, 900 caminhões circulavam diariamente para as importações e exportações da Faixa de Gaza, hoje estão reduzidos a 15. Por exemplo, o sabão não pode entrar.

Não há cimento. Quando há um buraco no tecto, não pode ser reparado. É impossível continuar a construção de um hospital infantil que tinha começado.

Um instrumento médico que se avaria não pode ser reparado, por falta de peças de reposição. Por exemplo: incubadoras para bebés.

As pessoas com doenças graves não podem ir ao hospital - nem em Israel, nem no Egipto ou na Jordânia. As poucas autorizações emitidas são frequentemente entregues depois de um atraso fatal. Em muitos casos, os pacientes são condenados a morrer.

Os estudantes não podem ir às universidades fora da Faixa de Gaza. Cidadãos estrangeiros que por acaso estavam em Gaza não podem sair se tiverem uma identidade palestiniana. Os palestinianos que têm contratos de trabalho no exterior não podem sair. Alguns palestinianos tiveram permissão de sair através de Israel para o Egipto, mas as autoridades egípcias não os deixaram entrar e tiveram de voltar a Gaza.

Praticamente todas as empresas fecharam por falta de matérias-primas. Assim, a fábrica de Coca-cola fechou.

Todos os preços na Faixa de Gaza subiram às alturas - cinco vezes e até dez vezes. A vida é actualmente mais cara em Gaza que em Telavive.

Como é que as pessoas sobrevivem? Os membros das famílias amplas ajudam outros membros. Pessoas de mais posses apoiam os parentes. A UNWRRA traz a maior parte da alimentação básica para os refugiados.

O Hamas não tem falta de dinheiro. Recolhem os impostos sobre o tabaco que é trazido através de túneis. Também têm lojas e outros pequenos negócios, assim o governo do Hamas consegue financiar as suas actividades e apoiar os seus.

O Dr. Sarraj propôs abrir imediatamente a fronteira com o Egipto, para que os habitantes da Faixa de Gaza possam circular livremente pela fronteira de Rafah e importar e exportar os seus bens - como faziam antes de 1967. Ele quer, evidentemente, que todas as outras travessias sejam abertas também.

O campo da paz de Israel é hoje o mais importante aliado do povo palestiniano, disse, apelando às forças de paz para que mostrem a sua face humana à população de Gaza.

Depois deste relato, os activistas da paz começaram a discutir formas práticas de realizar acções conjuntas com o povo de Gaza. Foram debatidas algumas iniciativas, que receberam a aprovação do convidado. Foram propostas a um comité de acção dos movimentos pacifistas para aplicação urgente.

 
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