As enormes potencialidades do movimento global criar PDF versão para impressão
29-Jun-2006
Yannis Almpanis*

A participação no Fórum Social Europeu de Atenas excedeu todas as esperanças mais optimistas: poucos de nós poderíamos acreditar que cerca de 35 mil pessoas, de todo o mundo, se inscreveriam no Fórum e que 100 mil pessoas desfilariam na manifestação de 6 de Maio de 2006 ( a polícia falou de 35 mil pessoas, os jornais, por sua vez, avaliaram os manifestantes em cerca de 70 mil).

Este resultado inesperado, mostrou mais uma vez as enormes potencialidades deste movimento global, que abriu um novo espaço de lutas que não pode ser ignorado.

A manifestação de 6 de Maio constitui um marco histórico do movimento social grego. Foi a maior demonstração de sempre, sem a participação do Partido Comunista Grego. A participação massiva nesta acção demonstra não só a crescente popularidade do movimento global, mas é sinal da emergência de uma nova cultura política de participação na sociedade helénica.

Para além do repúdio à possível Guerra no Irão, os inúmeros manifestantes expressaram também a sua mobilização massiva em favor de uma mudança social.

A utilização de milhares manifestantes como escudos humanos por parte de alguns grupos do black block é um acto autoritário por parte de elementos que sempre afirmaram ser inimigos do Fórum.

O sucesso do FSE, foi ainda mais impressionante, tendo em conta os problemas específicos que o Comité Organizador teve de fazer frente:

- Os grupos que compunham o Comité Grego são relativamente fracos e não tinham nenhuma experiência de organização de uma iniciativa deste tipo.

- A esquerda grega é umas das mais fragmentadas e sectárias da Europa.

- Durante quatro meses o processo do FSE esteve quase bloqueado por gente que vetava todos os esforços para dar  passos adiante.

- Depois do FSE de Londres o processo de preparação tornou-se ineficiente e com alguns aspectos anti-democráticos.

- A existência de um certo cansaço das pessoas devido à multiplicação dos Fórum Sociais, em menos de 6 meses, (nacionais, policentricos, Mediterrâneo, Europeu, etc...).

- A participação da Refundação Comunista Italiana (uma das mais importantes organizações do movimento) na coligação de centro esquerda, encabeçada por Prodi, criou algum sentimento de desapontamento num largo número de activistas, especialmente na juventude mais radicalizada.

Pelo contrario, o nosso trabalho foi facilitado pela vitória do "não" à Constituição europeia, em França. Pelo massivo movimento de contestação ao CPE, também em França.

Estas vitórias encorajaram os activistas e aumentaram o interesse pelo FSE em Atenas.

É de sublinhar também, como aspecto positivo, a significativa presença de activistas da Europa de leste, Balcãs e Turquia (mais de 2000 pessoas), foi a maior participação destes países num FSE.

O novo conceito de programa do FSE provou ser positivo. A abolição das Conferencias (todo o FSE foi auto-organizado) facilitou a preparação do FSE e impediu, ao mesmo tempo, a criação de uma falsa ideia de "representatividade" dos conferencistas, em relação ao movimento. Verificou-se a necessidade de existência de um site permanente do FSE que permita ajudar a preparação descentralizada e participada do Fórum.

Foi importante a aposta na cultura, do comité organizador: mais de 150 iniciativas culturais realizadas durante o FSE. Estamos convencidos que esta convergência entre arte e politica não só permite aos jovens artistas apresentarem o seu trabalho a mais gente, como auxilia a emergência de novas formas e culturas de acção e comunicação politica.

Ao contrario do artistas, a presença de intelectuais em Atenas revelou-se menos conseguida. O FSE de 2006 não conseguiu ser uma ponte entre intelectuais e activistas.

No futuro, estou convencido que se deve prosseguir o caminho apostando em numa agenda comum de mobilizações, como as acções de contestação a cimeira do G8 na Alemanha. Melhorar a metodologia de preparação do FSE tornando-a mais eficiente e inclusiva. Continuar a apostar no alargamento geográfico a leste, à Turquia e Balcãs.

O sucesso do FSE provou mais uma vez a importância deste espaço e do movimento alter-global, sejamos nós capazes de continuar a melhorá-lo e adaptá-lo à permanente mudança das condições politicas.

 

(*) Membro do Comité Organizador Grego. Excertos de um balanço feito pelo autor para a rede do FSE.

 
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