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06-Set-2006

GUERRA SEM FIM

Texto de Nuno Ramos de Almeida 

Passaram cinco anos do 11 de Setembro. Depois da queda das Torres e das mortes, a administração Bush declarou uma "Guerra Infinita" contra o terrorismo. Não tendo nós a capacidade de nos projectar no infinito, façamos o balanço desta guerra no tempo de poder do actual ocupante da Casa Branca.

A pretensa guerra ao terrorismo justificou a ocupação do Afeganistão, a invasão do Iraque, o apoio dos Estados Unidos à destruição do Líbano, as prisões em Guantanamo, as torturas de Abu Ghraib, os aviões da CIA, o rapto de pessoas em solo europeu, a generalização da tortura de suspeitos, as limitações à liberdade de expressão e aos direitos fundamentais, o rapto de eleitos palestinianos, o sofrimento continuado no Iraque e na Palestina.

Se esta guerra do ponto de vista ético é um desastre, do ponto de vista militar é uma tragédia. Que outro nome é possível para uma estratégia que multiplica os mortos, a injustiça e potencia os actos terroristas?

Hoje o mundo é um lugar muito mais inseguro, porque os factores de irracionalidade aumentaram e o risco de que mais 11 de Setembros se repitam e que mais bombardeamentos punitivos aconteçam, em qualquer lugar do terceiro mundo, tornou-se muito maior.

Já era altura de perceber que o fundamentalismo e o "terrorismo" são "regados" pelos mísseis e pelas bombas e criados pela injustiça.

A 12 de Setembro de 2001, estava livre Bin Laden, que depois de treinado, armado e financiado pela CIA durante a guerra-fria contra os soviéticos, se virou contra os seus padrinhos. Cinco anos depois, Bin Laden continua livre, o caos estendeu-se a grande parte do Médio Oriente, a injustiça e perseguição em relação às populações muçulmanas aumentou e generalizou-se.

Apesar destes sinais, o Império e os seus aliados parecem não ter apreendido nada.

Ouvimos o ministro dos Negócios Estrangeiros português, Luís Amado, defender sanções ao Irão por não aceitar interromper o seu programa de energia atómica. Assistimos a uma corrida para a guerra sustentada por uma "comunidade internacional" que é constituída pelos Estados Unidos e os seus aliados e que se propõe violar todas as leis internacionais e conduzir-nos a mais uma guerra desastrosa. As leis não proíbem a um país subscritor do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares, como o Irão, de explorar a energia nuclear e de se tornar tecnologicamente auto-suficiente nessa matéria; pelo contrário, o Tratado garante esse direito, o que proíbe é o desenvolvimento de armas atómicas. Nunca o Irão disse que as ia produzir, nem nunca os Estados Unidos provaram que elas estavam a ser construídas.

A inversão do ónus da prova que a administração Bush usou para justificar a guerra do Iraque, dizendo que havia armas de destruição maciça e que o Iraque tinha que provar que as não tinha, está de novo a ser utilizada. Provavelmente, muitas centenas de milhar de mortos depois vão-nos dizer que afinal não conseguiram achar armas atómicas, mas que no fundo o mundo está mais seguro, porque conseguiram derrubar mais um governo do "eixo do mal".

Perguntaram uma vez a Einstein que armas iam ser utilizadas na Terceira Guerra Mundial? O cientista pensou e respondeu: "na Terceira não sei, mas na Quarta vão utilizar paus e pedras". Bem-vindos à Guerra Infinita!

 
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