A incomparável assassinada criar PDF versão para impressão
27-Dez-2007
Miguel PortasO ano que agora se fina lança a sua primeira grande nuvem sobre o que aí vem.
O Paquistão não é um país qualquer, tem três guerras e uma secessão no activo, bomba nuclear, vizinhos poderosos ou problemáticos e, principalmente, uma situação interna explosiva que o assassinato da "incomparável" - assim se traduz para português a palavra Benazir - só pode acelerar em direcção ao desconhecido.

O assassinato é bárbaro, as condenações obrigatórias, mas já é História, e de resto comum por aquelas bandas do Mundo. Neste momento, o problema é como vai ser o dia seguinte.

O país será incendiado pela paixão, mesmo que a senhora já as não despertasse em vida? As primeiras horas de vingança admitem a possibilidade, mas não a certeza.
Manter-se-ão as eleições marcadas para 8 de Janeiro? Depende dos próximos dias.
E mantendo-se estas, quem beneficia? Nawaz Sharif deslocou-se ao hospital onde faleceu a sultana prometendo aos fiéis daquela o facho de uma oposição unida contra Musharraf. Pode ter sucesso... se as eleições se mantiverem... se as grandes famílias se articularem entre si... e se a Casa Branca, que preferia a dobradinha Musharraf/Butho, for rápida a manobrar na incerteza.

Se há povos cuja maldição é a de não encontrarem lideranças que os mereçam, o paquistanês é um deles. A três, o jogo era muito mau. Mas a dois, não melhora. Só fica mais perigoso.

Miguel Portas publicado no blogue Sem Muros

 
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