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04-Jan-2008
luis_branco.jpgDos 177 países analisados pela ONU no Relatório de Desenvolvimento Humano, apenas 12 caíram no ranking desde 2000. A acompanhar Portugal na queda estão a República Centro-Africana, Chade, Togo, Zimbabué, Quénia, Papua Nova Guiné, Suazilândia, Lesoto, Gana, África do Sul e Jamaica. 

Entre 31 de Dezembro e 1 de Janeiro Portugal trocou 286 milhões de mensagens SMS com votos de felicidades. Ainda não foi desta que Cavaco Silva aderiu à moda e preferiu continuar a ocupar o tempo de antena presidencial na televisão com o habitual discurso recheado de preocupações com o estado da economia, do emprego, da saúde e da justiça. Horas depois já só restava a crítica (em tudo semelhante à feita pelo presidente alemão há poucas semanas) aos altos salários dos gestores, que nas palavras do presidente são "injustificados e desproporcionados, face aos salários médios dos seus trabalhadores".

Nem de propósito, logo em seguida o governo decidiu fixar o aumento máximo de 2,4% nas pensões do regime geral, um valor igual ao da inflacção e só para as pensões até 611,12 euros. Todos os restantes pensionistas - justamente os que mais contribuíram para a segurança social - verão o seu poder de compra diminuir mais uma vez.

Não surpreende por isso que os portugueses encarem as perspectivas económicas para 2008 com pessimismo. Uma empresa de estudos de mercado divulgou ontem os resultados do inquérito sobre o índice de confiança dos consumidores de 48 países e Portugal aparece em último lugar. Só 8% dos inquiridos prevêem que 2008 será um ano bom ou muito bom para a economia, enquanto no resto da Europa o número sobe para 48%. Os restantes portugueses dividem-se entre os que acham que as perspectivas serão más (43%) e os que acham que não serão boas (49%)...

Entre os 8% de optimistas encontraremos de certeza muitos altos quadros e administradores das empresas que ganham em média trinta vezes o valor do salário que pagam aos seus trabalhadores. A consultora Mercer, citada pelo Diário Económico,  refere 720 euros de média salarial mensal, um valor que sobe para os 22 mil euros se estivermos a falar dos homens do topo da hierarquia dessas empresas. Os três milhões de euros que cada administrador do BCP levou para casa ao fim do ano, ou os 1,2 milhões dos administradores da PT são outros exemplos deste aumento da desigualdade salarial nos últimos dez anos.

E já que falamos de números, vale a pena olhar para o recém-publicado relatório 2007/2008 de Desenvolvimento Humano da ONU para verificarmos a evolução do país desde 2000 (disponível em francês e inglês. Dos 177 países que dele fazem parte, apenas 12 caíram no ranking. A acompanhar Portugal na queda estão a República Centro-Africana, Chade, Togo, Zimbabué, Quénia, Papua Nova Guiné, Suazilândia, Lesoto, Gana, África do Sul e Jamaica.

O aumento da pobreza e das desigualdades que o país tem vivido desde o início do milénio não será corrigido pelas políticas de Sócrates que até agora têm agravado a crise. Em 2008, as previsões apontam para o aumento do desemprego, o desmantelar dos serviços públicos e para os efeitos negativos em Portugal da recessão na economia mundial. É por isso provável que na mensagem de ano novo de 2009, Cavaco opte pelo SOS em vez do SMS.
 
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