O Dakar, Sarkozy e a estratégia do medo criar PDF versão para impressão
08-Jan-2008
Álvaro ArranjaA anulação do Lisboa-Dakar, baseada em informações do Governo francês, é mais um episódio de uma estratégia global da promoção do medo do "árabe integrista e terrorista", arma fundamental na ascensão de Sarkozy ao poder.

Para continuar em alta nas sondagens Sarko é mestre na arte de promoção do medo. Nos subúrbios de Paris atiça a revolta dos jovens, dando cobertura a actuações violentas da polícia ou qualificando as populações de "racaille". Usa o medo do imigrante, do árabe e do negro, sempre associados ao crime, como arma política.

Que melhor ajuda para esta estratégia que um Dakar anulado por ameaças desse monstro terrível do terrorismo árabe?

Afinal Sarko é um fiel seguidor da América de Bush, promotor incansável das ameaças de Bin Laden, com as quais se justificam guerras que dão milhões de lucros ao complexo armamentista ou se limitam as liberdades e os direitos fundamentais dos cidadãos.

Aqui ao lado, a direita espanhola repete o cenário. O Partido Popular promove o medo dos bascos e anseia por uma nova onda de atentados da ETA, para conseguir ganhar as eleições.

Em Portugal, já temos um elemento fundamental deste clima de medo, particularmente eficaz junto de uma população cada vez mais envelhecida, a "tabloidização" das televisões que abrem sucessivos telejornais com notícias de crimes, tribunais, Maddie's...(também uma excelente maneira de eliminarem a informação sobre a realidade social do país). Os candidatos a aprendizes de Sarko não faltam por aí...

Quem obviamente ficou a perder com a novela Lisboa-Dakar foram os portugueses que viram dinheiros públicos aos milhões, serem atribuídos a um negócio privado de muito duvidosa eficácia na promoção do país.

Álvaro Arranja

 
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