A Bragaparques e a Comunicação Social criar PDF versão para impressão
25-Jan-2008

Bernardino ArandaCom a permuta Parque Mayer / Feira Popular, vai pela primeira vez em Portugal chegar aos tribunais, uma acusação formal de tentativa de suborno a um vereador eleito.

Não sei se haverá muitas pessoas capazes de recusar 200 mil euros apenas para ficarem caladas (pelo menos, este foi o primeiro caso conhecido) mas, na verdade, quando no passado Verão o Tribunal pronunciou o Administrador da Bragaparques, a comunicação social não deu um especial interesse à história.

Mais: as notícias que apareciam, tinham geralmente um ar de (falsa) imparcialidade, dando-se o mesmo peso e credibilidade à "versão" de Sá Fernandes e das gravações comprometedoras feitas pela polícia, e à versão de Domingos Névoa, apenas confirmada pelo próprio e que foi sofrendo algumas alterações com o decorrer dos tempos, de que Ricardo Sá Fernandes teria ido ter com o Administrador da empresa minhota para este financiar a campanha do Bloco.

Tratou-se de um excelente trabalho de assessoria de imprensa, mas o que é certo é que também não faltaram meios de comunicação com vontade de colaborar.

Outro exemplo semelhante passou-se esta semana, após a entrega do relatório da sindicância feita ao Urbanismo da CML e conhecida a intenção do executivo lisboeta de bater-se pela anulação do negócio. Apareceu uma estranha notícia em alguns jornais:

O 24 Horas dizia: «RECUSA. O Ministério Público do Tribunal Administrativo e Fiscal de Lisboa deu parecer negativo ao pedido de anulação de compra dos terrenos da Feira Popular pela Bragaparques». O Global, o jornal gratuito distribuído maciçamente em Lisboa, dizia título de primeira página «Ministério Público contra pedido de Sá Fernandes».

Ambos os jornais terão baseado as notícias no take da LUSA, que dava conta de um parecer do MP sobre a anulação do negócio. Acontece que tanto a LUSA, como o 24 Horas e o Global, omitiram o facto de o tal parecer ter afinal mais de um ano e meio e, portanto, ter sido emitido em circunstâncias totalmente diferentes, antes de haver acusação, acórdão do Supremo Tribunal Administrativo ou sindicância à Câmara.

Curiosamente esse take foi feito a partir da delegação da LUSA em Braga, como convém... Pelo mesmo jornalista que fez para o 24 horas, durante a campanha eleitoral para as intercalares, aquele trabalho aprofundado de investigação jornalística, descobrindo que Sá Fernandes, enquanto jovem, esteve detido preventivamente. ...Por um roubo que, afinal, ficou provado que não tinha cometido, dizem-nos lá para meio do texto...

Quem disse que o Jornalismo de Causas estava morto?

Bernardino Aranda

 
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