"Guerra ao terrorismo" criar PDF versão para impressão
11-Set-2006

62 000 MORTOS DIRECTOS, CERCA DE 180 000 NO TOTAL
iraquecrianca060910O jornal britânico Independent publicou um artigo de David Randall e Emily Gosden intitulado "62 006 - o número de mortos na "guerra ao terrorismo" que extrai conclusões de estudos publicados no mesmo jornal e que traduzimos parcialmente.
A campanha "guerra ao terrorismo" - e os ataques terroristas - mataram directamente pelo menos 62 0006 pessoas, provocaram 4,5 milhões de refugiados e custaram aos Estados Unidos mais do que o necessário para liquidar as dívidas externas de todas as nações pobres do planeta.

Se forem incluídas as estimativas de outras mortes, não quantificadas - de rebeldes, da invasão militar do Iraque em 2003, as mortes não assinaladas individualmente pelos meios de comunicação ocidentais, e os que morreram em consequência de ferimentos - então o número de total de mortos pode ir a cerca de 180 000.

A escala extraordinária do impacto do conflito - ceifando vidas de Nova Iorque a Bali e de Londres a Lahore, e o total de mortos no Iraque e no Afeganistão - surgiu no estudo publicado no Independent on Sunday para marcar o quinto aniversário do 11 de Setembro. Esse estudo usou dados novos, não publicados mas fornecidos por académicos e organizações como "Iraq Body Count" e o professorMarc Herold da Universidade de New Hampshire, assim como estimativas de outros estudos oficiais.

O resultado é a primeira tentativa de contabilizar os custos totais em vidas humanas e monetários dos conflitos e atrocidades começados com o 11 de Setembro de 2001 no mundo inteiro. A partir de ontem, o número total confirmado de vidas perdidas é de: 4541 a 5308 civis e 385 militares no Afeganistão; 50100 civis e 2899 militares no Iraque; e 4081 em actos de terrorismo no resto de mundo.

O novo número de civis mortos do Iraq Body Count, um grupo de académicos britânicos e norte-americanos, é especialmente revelador. Nos últimos dois anos e meio, a estimativa do número de civis mortos no Iraque ultrapassava os 10000. Hoje, diz-se, ultrapassa a marca dos 50000 - um grande salto largamente atribuível a actos terroristas e à rotura da autoridade civil.

A metodologia cuidadosa do "Iraq Body Count" - de contar uma morte apenas quando é noticiada em dois órgãos de comunicação diferentes - produz certamente uma subestimação. Até o ministro iraquiano da saúde calcula um número ligeiramente superior, assim como o tão citado número do Presidente Bush de 30000 civis mortos até Dezembro de 2005, quando comparados com os números do IBC. As mortes de rebeldes não estão incluídas nos cálculos do IBC, nem os de polícias iraquianos quando envolvidos em operações de combate.

O cálculo destas mortes, juntamente com o número de militares iraquianos mortos nas batalhas da fase da ocupação do Iraque, é o menos conhecido deste conflito. Uma reportagem de um meio de comunicação norte-americano calculava em 36000 o número de rebeldes mortos desde 2003, enquanto o número de militares iraquianos mortos durante a invasão permanece desconhecido e não conhecível.

Nenhuma destas categorias está incluída no nosso número de 62006 mortes directamente confirmadas. Nem se inclui quaisquer números de pessoas mortas em consequência de ferimentos ou pelo aumento da mortalidade devido à falta de cuidados de saúde. As estimativas existentes de cerca de 130000 para estes casos assentam em estudos pouco científicos, ou como o cálculo controverso da "Lancet" de 98000 mortos devido ao aumento da mortalidade por projectar para a nação inteira uma pesquisa a 988 lares.

O que está certo é o estado de destruição dos cuidados de saúde do Iraque. Em Março de 2006 a campanha do grupo Medact divulgou que 18000 médicos deixaram o Iraque desde 2003; cerca de 250 dos que ficaram foram raptados e, só em 2005, 65 foram mortos. Medact diz ainda que "doenças de fácil tratamento médico como a diarreia ou respiratórias causaram 70% das mortes de crianças" e que "das 180 clínicas que os Estados Unidos esperavam construir até ao fim de 2005, só quatro foram acabadas e nenhuma abriu". Em Maio uma pesquisa do governo do Iraque e da Unicef apontava que um quarto das crianças iraquianas sofria de má nutrição.

No Afeganistão, os estudos de maior confiança são do Professor Marc Herold, e apontam o total de civis mortos para um número entre 4541 e 5308. Não estão incluídos os que morrem em consequência de ferimentos ou nos campos de refugiados. Estas mortes "indirectas" estarão entre 8000 e 20000. Mais precisas são as estimativas do número de refugiados. Em Julho o comité de refugiados e imigrantes dos Estados Unidos disse que haviam 2,2 milhões de afegãos refugiados no estrangeiro e pelo menos 153200 deslocados internamente. No Iraque os refugiados externos eram 888700 e 1,3 milhões de pessoas deslocadas dentro do país. Estima-se que 40% da classe média do Iraque tenha abandonado o país.

Para além das vítimas há um custo monetário. Em Julho foi noticiado que o Congresso norte-americano tinha aprovado um orçamento de 437 biliões de dólares para despesas com a "guerra ao terrorismo". Uma soma maior que as gastas nas guerras da Coreia e do Vietname e comparável aos 375 biliões de dólares que a iniciativa "Make Poverty History" diz serem necessários para pagar a dívida externa das nações mais pobres do mundo. O governo britânico gastou cerca de 4,5 biliões de libras no Iraque e no Afeganistão. (...)

 
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