CGTP – O congresso tem que ter o sentido da LUTA! criar PDF versão para impressão
14-Fev-2008
Mariana AivecaO congresso da CGTP, que se realizará nos próximos dias 15 e 16 deste mês, tem que dar necessariamente os sinais do confronto absolutamente necessário com as politicas populistas e neoliberais que grassam em Portugal, na Europa e no Mundo.

A imprensa tem destacado as divergências internas e girado em torno do futuro secretário-geral. Não são questões de somenos num movimento inquestionavelmente importante no plano nacional e internacional.

Mas o que quero abordar são os caminhos que a CGTP vai definir para os próximos quatro anos.

Este congresso realiza-se a mais de meio mandato de Sócrates, onde em pouco mais de dois anos assistimos ao desmantelamento de muitos serviços públicos, ao encerramento de muitas empresas fundamentais à nossa economia, a um ataque sem precedentes não só aos mais pobres dos pobres (os pensionistas e desempregados) mas também a outros sectores onde até a direita mais retrógrada não ousou avançar.

Temos assim um Governo que ultrapassa pela direita Bagão e Portas, que cede a Belmiro e Van Zeller, que é elogiado pela alta finança e que até se dá ao luxo de despedir, ele próprio, os trabalhadores da Gestnave.

Temos um Governo que tem um projecto ideológico claro: Desmantelar o Estado Social e individualizar cada vez mais a política.

É neste cenário que a CGTP tem que ter a capacidade de rasgar novos horizontes que contribuam para o esvaziamento deste ataque político e ideológico; para chamar à participação cada vez mais pessoas, sem medo de que se tornem incontroláveis; para agir para além dos sindicalizados; para propor e exigir na concertação social politicas que dignifiquem os e as cidadãs e, decididamente para abrir a porta a mais democracia.

Não bastam as declarações de intenções ou discursos de unidade virtual. São os actos que assinalam o verdadeiro sentido da mudança.

É errado que se criem regras cegas de idades convenientes.

É errado que se queira concretizar a democracia com a negociação partidária por cima, com os representantes partidários a repartir lugares ou cargos.

É errado não ter em conta a base social como um todo, e que se privilegiem os activistas, delegados e dirigentes sindicais conforme são mais ou menos próximos da ideologia da corrente dominante.

O rejuvenescimento da CGTP é uma necessidade, mas ele só será real se na base se incentivar à participação sem condições prévias ou exigências formatadas.

Os mais jovens, os desempregados, os trabalhadores precários, os opositores ás politicas de saúde ou da educação têm que encontrar na CGTP um espaço de discussão e de confluência de acções e de luta.

A democracia concretizar-se-á quando as direcções forem construídas, tendo em conta as pessoas das empresas e serviços, a sua importância nacional, as suas vivências e experiências diversificadas e não as "quotas" das correntes partidárias.

A lógica de que é o partido que constrói a decisão para o sindicato espartilha e destrói a unidade na acção, porque a unidade na acção se constrói na pluralidade de opinião, e da experiência de cada activista em cada momento concreto e, para cada acção concreta.

A luta é um imperativo e em todas as frentes. Em melhor legislação que revogue o código do retrocesso e estabeleça regras claras a favor dos trabalhadores. Em melhor negociação que encontre verdadeiras saídas para o desemprego, para a precariedade e para os salários. Em defesa da democracia, da liberdade, e do bem-estar.

Se este for o ponto de partida deste congresso, será certamente um ponto de encontro para o futuro.

Mariana Aiveca

 
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