Contas justas ou ajustes de contas? criar PDF versão para impressão
20-Fev-2008
Rogério MoreiraO Tribunal Constitucional confirmou o financiamento ilegal feito pela Somague ao PSD e à JSD e decidiu aplicar multas de 600 mil € à construtora, de 35 mil € ao partido, acrescido da devolução por este dos 233 mil € em causa e de 10 mil € ao então presidente da empresa e ao secretário-geral adjunto do PSD à altura ou seja, tudo somado, cerca de 180 mil contos na moeda antiga. Uma maquia considerável e uma decisão inédita.

Sem qualquer margem para se congratular com a decisão e dizer, como Marques Mendes, em Setembro passado, que "nada tinha acontecido", o PSD resolveu tirar da cartola o anúncio de uma auditoria externa às suas contas desde 2001, ano em que José Manuel Barroso estava à frente do Partido.

Mas será mesmo para verificar se, desde então, as contas estarão justas ou antes para ajustar contas com as anteriores lideranças partidárias?

O que importa perceber é se este expediente, aplicado anteriormente, teria sido suficiente para detectar a "generosidade" da Somague. Parece claro que não, por duas ordens de razões. Em primeiro lugar porque se trata de chover no molhado; os Partidos já são regularmente (anualmente e por cada acto eleitoral) sujeitos a auditorias externas, razoavelmente extensas. Em segundo lugar, e aqui é que fia mais fino, porque segundo agora se sabe, essas facturas nunca chegaram a entrar, nem a deixar qualquer rasto, na contabilidade do PSD.

Foi sim numa fiscalização de rotina às contas da agência de publicidade e não da construtora, muito menos do PSD, que a ilegalidade foi detectada. O que isso trouxe a lume foi que uma grande empresa, das maiores do sector da construção civil e obras públicas, resolveu pagar um considerável número de cartazes dos jovens e dos seniores laranja, subtraindo assim essa despesa às contas partidárias. Porquê? Em troca de quê?

Talvez numa investigação em larga escala e com cruzamento de informação, às "somagues" que por aí andam se encontrasse o rasto de outras milionárias campanhas autárquicas. Ou de campanhas eleitorais pagas no Brasil, por exemplo.

Rogério Moreira

 
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