Umas eleições sem ilusões para a esquerda anti-capitalista criar PDF versão para impressão
07-Mar-2008

cAlternativas anti-capitalistas têm fraca expressão nestas eleiçõesO governo social-liberal do PSOE dos últimos anos mostrou o que muita gente esperava, apesar dos modos simpáticos de Zapatero. Um governo que continuou a aplicar as medidas neoliberais, reduzindo salários já de si baixos, lutando contra os movimentos sociais e reprimindo as dissidências políticas que não cabem no sistema monárquico herdado da ditadura.

Por Pedro Aranda , do Espaço Revolucionário Andaluz, publicado em Espacio Alternativo

A desilusão provocada nos sectores de esquerda da sociedade, muito mobilizados na última fase do governo de Aznar, provocou a entrega da iniciativa política à direita, que tem tido a supremacia na mobilização social, apoiando-se nos bastiões católicos e grupos de extrema-direita, e que têm conseguido propagar uma mensagem xenófoba, homófoba e espanholista graças às massivas mobilizações de carácter conservador.

Os 4 anos de governação neoliberal do PSOE, apoiado por uma Esquerda Unida subalterna – sem  projecto próprio – e por diversos partidos nacionalistas, não deixam dúvidas quanto ao seu carácter neoliberal. Apenas algumas leis como a do casamento entre pessoas do mesmo sexo ou a lei da dependência (de apoio a deficientes e pessoas sem autonomia física e mental), mostraram um carácter diferente de um governo de direita clássica. Leis que na sua maioria ficaram sem efeito devido à falta de financiamento ou porque são tão vazias de força prática que não almejam os seus objectivos simplesmente por cobardia política, como é o caso da lei sobre a memória histórica. E um conflito político em Euskadi, com um processo de paz em que “os progressistas” assumiram posturas mais conservadoras que o próprio PP, sendo que a melhor maneira de escapar às suas responsabilidades foi continuar a repressão generalizada sobre a esquerda independentista, atingindo inclusivamente outros sectores políticos, naquilo que tem sido uma espiral de repressão muito perigosa.

No plano sindical, a repressão patronal e judicial dos sindicalistas mais activos não é compatível com o discurso presidencialista cativante e charmoso, e mostra claramente ao serviço de que interesses se encontra este governo. Os salários dos trabalhadores perdem poder de compra a um ritmo galopante. E não apenas no úlimo mês, como poderia parecer se apenas atendermos aos meios de comunicação do poder. As famílias trabalhadoras cada vez mais endividadas e com dificuldades para chegar ao fim do mês, vêem o seu futuro cada vez mais incerto.

Resumindo, um governo que continua a lógica de transferir riqueza dos mais fracos para os mais fortes através de reformas fiscais, de permissividade com a especulação imobiliária, com as suas apostas educativas baseadas no projecto europeu mercantilista e com as contra-reformas laborais que nos deixam sem praticamente nenhum direito social face ao desemprego e face aos patrões.

Em comparação com a legislatura de Aznar, os movimentos sociais foram mais débeis durante estes anos de governação do PSOE. Mas motivos para a mobilização não faltaram: precariedade crescente em todas as áreas da vida, participação em  guerras imperialistas, frequentes assassínios de mulheres, perseguição e repressão de imigrantes, ataques às liberdades políticas, ataques ao ambiente e à natureza tanto nas zonas costeiras como no interior, etc. Ainda que, por outro lado, pequenas tentativas de coordenação obtiveram resultados visíveis: o movimento por uma habitação digna, os estudantes contra a mercadorização do ensino, o movimento republicano que fez moça no discurso monárquico, o movimento antifascista que conseguiu saír para a rua num momento tão difícil, e os meios de comunicação alternativos que têm cada vez mais eco. É por isso que parece acertado afirmar que com mais organização e articulação, nos próximos anos poderemos falar de movimentos de massas menos dispersos e na defensiva do que na etapa actual. Fortalecer coordenações permanentes com um discurso articulado e unificar lutas dispersas, parece ser um dos principais desafios para alcançar futuras vitórias.

Perante umas eleições nas quais a esquerda institucional está integrada no pragmatismo capitalista e sem alternativas, e com uma esquerda anti-capitalista muito débil, não existem opções que apresentem às massas uma possiblidade de ruptura capaz de tomar as ruas; nesta situação, enquanto revolucionári@s devemos ter clara a perspectiva de futuro: que a luta é o único caminho para acumular forças na perspectiva da construção de uma ferramenta política capaz de ajudar a fomentar e fortalecer os movimentos de massas, para a criação de uma esquerda sindical capaz de obter vitórias ainda que parciais, e para a  coordenação das forças anti-capitalistas, bastante dispersas no período actual.
 
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